Cidades

5 de setembro de 2017 08:11

Alagoas é quarto estado do país em encalhe de baleia jubarte

Último caso foi registrado nesta segunda-feira na foz do Rio Niquim

Alagoas ocupa a quarta posição no número de encalhe de baleias da espécie jubarte em 2017 segundo dados do Instituto Baleia Jubarte (IBJ). Até o momento, o estado registrou sete encalhes.

O último encalhe foi nesta segunda-feira (4), na foz do Rio Niquim, na Barra de São Miguel, Litoral Sul do estado. Equipes do Instituto Biota de Conservação foram ao local para detectar as causas do encalhe. Segundo informações do instituto, o animal não resistiu ficar fora d’água e acabou morrendo. Ainda de acordo com o Instituto Biota, no total foram oito encalhes. Destes, sete foram de jubarte.

BRASIL

O ano de 2017 já registra dois recordes de encalhes de baleia jubarte no país, segundo dados do IBJ e Instituto Orca, localizados na Bahia e Espírito Santo, respectivamente. Duas ONGs que representam, no estado, a Rede de Monitoramento e Informação de Encalhes de Mamíferos Aquáticos do Brasil (Remab), que é coordenada nacionalmente pelo Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio).

De acordo com os institutos, o mês de julho foi o pior desde quando o monitoramento se iniciou, em 2002. E mesmo antes de chegar ao fim, o mês de agosto já havia ultrapassado o número de baleias encalhadas que foram registrados em julho.

Segundo Milton Marcondes, coordenador de pesquisa do IBJ, em toda costa do Brasil foram 77 encalhes, sendo 29 na Bahia, 24 no espírito Santo, 12 no Rio de Janeiro, sete em Alagoas, quatro em São Paulo e um em Sergipe. “Em 2016, foram 78 encalhes, portanto, 2017 caminha para superar 2016. O IBJ informou que 2010 foi o pior ano, com 96 encalhes”.

O presidente do Orca, Lupércio Araújo, ressalta que o pior período do ano ainda não chegou. De acordo com ele, será este mês e meados de outubro, conhecidos historicamente como meses críticos.

Vinte e três mamíferos marinhos encalharam este ano

Desde o início do ano, 23 mamíferos aquáticos encalharam no litoral alagoano. De acordo com o Instituto Biota, foram oito baleias, sendo sete da espécie jubarte, e 15 golfinhos.

Das baleias encalhadas este ano, dois filhotes foram encontrados vivos. “Mas, infelizmente um deles morreu um dia após a reintrodução ao mar”, segundo o instituto. Ainda de acordo com os registros do Biota, foram apenas 12 encalhes em 2016.

ESPECIALISTAS

Para o IBJ, animais podem morrer no mar e encalhar mortos ou encalharem com vida. Parte dos encalhes são por causas naturais. Outra parte pode ser devido às ações humanas.

Os especialistas também ressaltam que a mudança atual no campo eletromagnético também pode explicar porque as baleias, orcas e golfinhos estão encalhando e morrendo aos milhares nas costas de todos os continentes. As linhas de navegação que esses animais sempre seguiram pelos oceanos mudaram e agora os levam para uma praia qualquer.

“Neste período, aumenta o trânsito de baleias em migração ao longo de nosso litoral. Especula-se de ondas de radar de alta frequência até distúrbios metabólicos. Já o caso de baleias mortas tem causas constatadas que vão de abalroamentos acidentais com navios, pneumonia por poluição das águas e ingestão de plâncton com toxinas”, explica o oceanógrafo Gabriel Le Campion.

“Este ano, duas baleias que encalharam no Rio de Janeiro foram devolvidas ao mar com vida e não voltaram a encalhar. Não sabemos se elas sobreviveram, mas temos um caso de uma jubarte devolvida ao mar que foi reavistada oito anos depois. A grande maioria dos encalhes é de baleias que morreram no mar e as carcaças chegaram às praias. Casos de baleias encalhando com vida variam de 10 a 15% das ocorrências”, explica o coordenador de pesquisa do IBJ.

Fonte: Tribuna Independente

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