Cidades

18 de julho de 2017 20:52

Técnicos iniciam estudo em casa com alta temperatura em Maceió

Titular da Defesa Civil disse que este é o quarto caso registrado em Maceió

Após registrar a ocorrência referente a um imóvel no bairro Fernão Velho onde o piso apresentou um aumento considerável da temperatura, a Defesa Civil de Maceió viabilizou o estudo para identificar as possíveis causas. Nessa segunda (17), técnicos do órgão estiveram no local acompanhados de pesquisadores da Companhia de Pesquisa de Recursos Minerais (CPRM), um empresa governamental vinculada ao Ministério de Minas e Energia, que levantaram as primeiras informações sobre o caso e definiram as medidas que devem ser adotadas.

O titular da Secretaria Municipal de Desenvolvimento Sustentável (Semds), Gustavo Acioli Torres, acompanhou a vistoria ao imóvel e destacou a mobilização realizada pela Defesa Civil, que é uma secretaria adjunta da Semds. “Outros casos semelhantes já foram registrados em Maceió e, por entendermos a preocupação da família, acionamos a CPRM para auxiliar neste estudo. Há duas possibilidades que devem justificar o aumento da temperatura, no entanto somente teremos certeza a partir do levantamento mais detalhado que deveremos iniciar nas próximas semanas. O mais importante, neste momento, é que a família foi tranquilizada, pois não há riscos à vida, segundo constataram os técnicos”, comentou o secretário.

Segundo Dinário Lemos, titular da Defesa Civil, este é o quarto caso registrado na capital. “Nesta ocorrência, assim como foi constatado nas demais, possivelmente o aumento da temperatura se deve à decomposição de matéria orgânica, o que gera calor com a combustão de gás. Apesar do desconforto aos moradores do imóvel, constatamos com os técnicos da CPRM que não há risco de explosão. Fizemos os primeiros levantamentos e voltaremos na próxima semana para um estudo mais aprofundado, com a escavação do solo”, disse.

Pesquisador em geociência pela CPRM, Rafael Melo esclareceu que o aumento pode ser atribuído à peculiaridade da região lagunar, além de fatores externos comunicados pelo proprietário do imóvel. Durante a visita técnica, os pesquisadores e a equipe da Defesa Civil foram informados que a região onde a casa foi construída foi aterrada onde havia lixo, e o terreno também recebeu camadas de carbureto de cálcio, um composto químico reagente que gera gás ao entrar em contato com água.

“O imóvel está em uma região em que a gente encontra sedimento lacustre, que geralmente concentra muita matéria orgânica, uma característica do lago. Essa matéria orgânica, quando vai sendo soterrada por um sedimento que vai acumulando, ela vai se decompondo e gerando metano. Este gás se concentra dentro do sedimento, entra em combustão e acaba escapando, o que pode gerar esse tipo de ocorrência. Além disso, jogaram carbureto no terreno da construção e isso também pode ter sido a causa do aumento da temperatura”, disse o pesquisador.

Sobre a conclusão do estudo, Rafael Melo explicou que vai ser necessário escavar uma parte do terreno em uma profundidade que vá além do aterro. “Vamos aferir as duas possibilidades:  a decomposição da matéria orgânica, gerando gás metano, ou o carbureto no material de aterro, que deve ter entrado em contato com a água após o período de chuva e o a consequente elevação do nível da lagoa, gerando a reação exotérmica que causou o calor. Para ter a certeza, faremos o furo de sondagem, que nos permitirá uma análise mais detalhada do solo para entender o que está acontecendo”, esclareceu.

O pesquisador da CPRM também reforçou que, embora haja o aumento da temperatura, não há riscos, visto que a quantidade de gás concentrada é pequena. “É uma ocorrência pontual e não há risco de explosão, não oferece nenhum risco à vida. O único problema é o desconforto para a família”, completou Rafael Melo.

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