Cidades

31 de maio de 2017 09:01

Municípios alagoanos começam limpeza dos estragos causados por chuva

Mais de 8 mil famílias ficaram desabrigadas em todo o Estado; hoje e amanhã deve chover de forma moderada

Os municípios alagoanos atingidos pelas fortes chuvas da última semana, ainda estão fazendo o levantamento dos prejuízos, mas já tentam voltar à normalidade e recuperar os estragos causados pelas chuvas.

Em todo o Estado, 8.444 famílias ficaram desabrigadas, 16.508 desalojadas.  Vinte e sete cidades foram atingidas segundo a Defesa Civil Estadual.

Em Marechal Deodoro, equipes da Prefeitura já começaram a limpeza nas ruas e avenidas da cidade. Segundo a Defesa Civil Estadual, o município foi um dos que ficou mais atingido pelo temporal. Só em Marechal, cinco mil pessoas ficaram desabrigadas, 9.970 desalojadas e 29.294 foram afetadas com as chuvas em todo o município.

A assessoria de comunicação do Município informou que muitas famílias já estão voltando para suas casas. Em relação às famílias que perderam tudo, equipes da Secretaria de Assistência Social da cidade fará um levantamento detalhado para averiguar a situação.

A defesa Civil Municipal ainda não informou o nível da lagoa Manguaba. No entanto, moradores da cidade informaram que baixou cerca de um metro e meio. Mais de 1.400 pescadores deodorenses, todos filiados à Colônia, foram atingidos diretamente pelas chuvas. Seja pela impossibilidade de pescar ou por terem perdido casas. Ao longo dos próximos três meses, eles vão ficar impossibilitado de retomar a atividade pesqueira devido à contaminação da lagoa. Devido a isso, o prefeito vai pleitear, junto ao Governo Federal, o Seguro Defeso, durante este período.

A Secretaria de Infraestrutura de Marechal Deodoro começou a fazer o levantamento dos prédios públicos atingidos. Por enquanto, foram atingidas as Secretarias de Planejamento, Infraestrutura e Obras, Gestão. Além disso, cinco unidades de saúde foram atingidas, destes dois com perda total; três escolas, sendo uma com perda total; e o Espaço Cultural.

No município de Pilar, as pessoas também tentam voltar à normalidade. De acordo com a assessoria de comunicação da cidade, 300 famílias ficaram desabrigadas e 800 desalojadas. No total geral cerca de quatro mil pessoas foram atingidas pelas as chuvas dos últimos dias na cidade.

Em Jacuípe, o prefeito Amaro Ferreira, conhecido como Carro Veio está avaliando os danos causados. Na cidade mais de 1.200 famílias ficaram desabrigadas.

Em Maceió 260 famílias ficaram desabrigadas, 3.125 desalojadas e até o momento foram registradas sete mortes e uma pessoa continua desparecida.

PREVISÃO

“A previsão para os próximos dias são de chuvas com sua intensidade moderada para hoje e amanhã. O que vai trazer essas chuvas para nossa região é o fenômeno meteorológico chamado Ondas de Leste, esse sistema meteorológico é definido como perturbações sinóticas, associadas a cavados e à temperaturas elevadas da superfície do mar. Causando geralmente nuvens convectivas. Essa previsão de chuvas moderadas são para as regiões do Litoral, Zona da Mata e Baixo São Francisco”, informou Henrique Mendonça, meteorologista da Sala de Alerta da Secretaria de Estado do Meio Ambiente e dos Recursos Hídricos (Semarh).

Apesar das chuvas ocorrerem em menor intensidade o meteorologista Henrique disse que elas preocupam, pois o solo já está totalmente saturado “como o solo já perdeu toda sua capacidade de absorção isso aumenta o escoamento superficial com isso poderá acontecer deslizamentos.

RIOS E LAGOAS

“As lagoas Mundaú e Manguaba continuam bastante elevadas, porém estão lentamente diminuindo seus respectivos níveis. E com relação aos níveis dos rios, eles estão baixando significativamente’’, disse o meteorologista Vinicius Pinho.

Vinte e sete cidades têm situação de emergência decretada

O governo do Estado decretou situação de emergência em 25 municípios atingidos pelas chuvas em Alagoas. A decisão foi publicada no Diário Oficial do Estado (DOE) de ontem (30). Maceió e Marechal Deodoro já estavam em situação de emergência, totalizando 27.

Além de Maceió e Marechal Deodoro, os outros 25 municípios que integram o decreto de situação de emergência, conforme avaliação técnica reconhecida pelos órgãos competentes, são Atalaia, Barra de Santo Antônio, Cajueiro, Capela, Chã Preta, Colônia Leopoldina, Coruripe, Coqueiro Seco, Igreja Nova, Japarantinga, Joaquim Gomes, Murici, Paulo Jacinto, Paripueira, Pilar, Quebrangulo, Rio Largo, Satuba, São Luiz do Quintunde, São Miguel dos Campos, Santa Luzia do Norte, Jacuípe, Jundiá, Viçosa e União dos Palmares.

De acordo com a publicação, a chefia do Executivo declara situação anormal ao considerar aumento das precipitações pluviométricas que assolam diversos municípios alagoanos, “para níveis sensíveis superiores ao do normal climatológico e o aumento intensificado das reservas hídricas. Além disso, o governo leva em conta impactos das chuvas que causaram danos humanos, materiais e ambientais, assim como prejuízos públicos e privados”.

No decreto, o governador Renan Filho (PMDB) ainda considera a necessidade de ações imediatas e o parecer técnico elaborado pela Coordenadoria Estadual de Defesa Civil de Alagoas.

Com a situação de emergência decretada nesses municípios ficou estabelecido que o gabinete de crise organizará uma força-tarefa com equipes multidisciplinares de servidores estaduais. Eles irão fazer um levantamento de demandas em cada um desses municípios. Os trabalhos terão início hoje (31), após a Defesa Civil e os secretários de Estado repassarem os encaminhamentos devidos.

“Essa equipe vai identificar as necessidades prioritárias de cada município, para o trabalho começar imediatamente, principalmente no âmbito de limpeza, quer seja na desobstrução de vias, retirada de entulhos, desentupimentos, remoção de lama, pequenas demolições. O objetivo é minimizar o sofrimento dos alagoanos e que a situação de normalidade seja retomada o mais rápido possível,” ressaltou o secretário-chefe do Gabinete Civil, Fábio Farias.

“Trabalho de alerta é feito em toda quadra chuvosa”

A Prefeitura de Maceió, por meio da Defesa Civil Municipal informou que em toda quadra chuvosa é feito trabalho preventivo em áreas de risco.

Em nota a prefeitura disse: “Ainda em 2013 um mapeamento amplo na cidade de Maceió foi realizado para identificar as áreas de risco, trabalho que resultou na classificação de 76 pontos em grotas e encostas, a exemplo da comunidade de Santo Amaro”.

No entanto, moradores da Grota do Santo Amaro disseram em entrevista a uma emissora de televisão local que eles não tinham sido alertados sobre os riscos de desabamento.

A assessoria de comunicação da Defesa Civil do Município explicou que o órgão vem realizando ações de prevenção durante a Operação Inverno, com ações de limpeza e infraestrutura.

“A instalação das lonas é feita somente no período chuvoso, visto que, caso o material seja colado em períodos de sol, a resistência é pouca e o plástico rasga pela ação do tempo. Nos últimos 10 dias, o volume de chuva foi muito além do esperado e, em uma situação emergencial, a medida mais adequada foi à retirada das famílias que vivem no local. Todas as famílias que moram no local foram cadastradas anteriormente em programas habitacionais do Governo Federal e, desde que foi identificada a situação de risco, os moradores foram orientados pela Defesa Civil a deixar o local caso o volume de chuvas aumentasse. No entanto, há uma resistência da população”, esclareceu. 

Fonte: Tribuna Independente

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