Cidades

29 de novembro de 2016 13:55

Arthur Maia se realizou e viveu intensamente, dizem pais do alagoano

Pais dizem que jogador tinha planos de casar em 2017 e era super bem quisto por onde passou

O momento foi de comoção na casa do jogador alagoano Arthur Brasiliano Maia, na manhã desta terça-feira, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. Parentes e amigos pareciam não acreditar na tragédia que chocou o futebol mundial, com a queda do avião que levava a maioria da delegação da Chapecoense, para a cidade de Medellín, na Colômbia, onde a equipe disputaria a final da Copa Sul-Americana contra o Atlético Nacional.

O acidente aéreo, conforme agências de notícias colombianas, matou mais de 70 pessoas, e entre as vítimas fatais estava o jovem Arthur de 24 anos, que nasceu em Maceió, e logo cedo, foi morar em Salvador após um teste no Vitória. Informações policiais da Colômbia dão conta de que, apenas cinco pessoas foram resgatadas com vida, sendo três jogadores do time catarinense: o lateral esquerdo Alan Ruschel, o goleiro Follmann e o zagueiro Neto. Além do jornalista Rafael Henzel e uma comissária identificada como Ximena Suárez Otterburg.

Para os pais de Arthur ele se realizou e viveu intensamente cada momento da sua existência na terra. A mãe, dona Kátia Maia, estava em estado de choque, mas muito educada aceitou conversar com a equipe de reportagem, assim como o pai Roberto Maia.

“Meu filho era muito bem quisto por onde passou, ele sabia chegar e sair. Sempre foi muito decidido do que queria, embora tivéssemos medo dele ir para tão longe da gente ainda criança com apenas 10 anos de idade. Achei que ele não ia demorar em Salvador, que seria só um teste, mas ele passou e não quis voltar, apostou na carreira, ainda pequeno. Nunca o impedi muito pelo contrário sempre dei forças e todo o apoio para meu filho, e graças a Deus por onde ele passou deixou suas sementes do bem”, descreveu dona Kátia consternada. “A única coisa que sofro hoje é por não ter passado mais tempo com ele”, completou em prantos.

(Foto: Sandro Lima)

Kátia Maia, estava em estado de choque, mas aceitou conversar com a reportagem

Seu Roberto Maia estava aparentemente mais conformado, e se apegando na fé em Deus para suportar a dor da saudade. “Ele era um menino muito bom, nasceu e se criou no Vergel, jogava na lagoa e logo notaram que ele tinha jeito com a bola no pé, me incentivaram a colocar ele numa escolinha de futebol, e assim eu fiz. Não me arrependo, era o que ele queria, ele sonhou muito com esses momentos que passou, estava feliz e realizado financeiramente, tinha planos de casar em dezembro de 2017, estava noivo da Fernanda que mora em Salvador, mas a gente se falava sempre. Inclusive ela me ligou dizendo que ele tinha ligado para ela na Bolívia, e disse que estava tudo bem”, contou.

Arthur Maia apesar da pouca idade fez uma grande trajetória no futebol, segundo seu Roberto, que detalhou orgulhoso a carreira profissional do filho, ele começou no CSA entre 8 e 9 anos, foi em seguida para a Escolinha do Vitória em Maceió, quando foi descoberto pelo núcleo do rubro-negro baiano na capital e convidado para fazer um teste em Salvador. Arthur passou a morar nas dependências do clube, e tornou-se um soteropolitano nato, ficou no Vitória dos 11 aos 21 anos, quando saiu e seguiu para o Joinville, depois jogou no América de Natal, Flamengo, Kawasaki Frontale no Japão, retornou para o Vitória e estava no Chapecoense atuando como meia.

A família informou que ainda não teria sido informada oficialmente da morte do jogador alagoano.  O clima na residência dos pais de Arthur era de comoção e muita tristeza, onde parentes e amigos se juntaram num ato de solidariedade fraterna para prestar condolências. O jovem era o filho casula e deixa uma irmã de 26 anos. Ele também se programava para passar as festas de final de ano com a família em Maceió. 

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(Foto: Sandro Lima)

Galeria mostra todos os clubes onde Arthur passou, apenas com a Chapecoense de fora

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