Brasil
Caso Samylle: tio confessou que matou menina de 4 anos no RS, diz polícia
Samylle Valentina Borba Ramiro, de 4 anos, foi levada pelos tios a uma UPA de Porto Alegre na segunda-feira (17), onde já chegou sem vida
O tio de Samylle Valentina Borba Ramiro, que morreu aos 4 anos, preso preventivamente na manhã desta quinta-feira (20) em Porto Alegre, confessou o crime, de acordo com a delegada Alice Fernandes. O homem foi identificado como Nicolas Gabriel Almeida Staubus, de 22 anos.
O atestado de óbito confirmou a causa da morte da menina como politraumatismo. De acordo com a polícia, Samylle estava morando com os tios há pelo menos dois meses. Foram eles que levaram a menina até a UPA no dia da morte dela, mas o homem fugiu quando a polícia chegou ao local.
Samylle deu entrada na madrugada de segunda-feira (17) na Unidade de Pronto Atendimento (UPA) Bom Jesus, na Zona Leste de Porto Alegre, já sem vida e com manchas roxas pelo corpo. A polícia foi acionada imediatamente após os médicos constatarem sinais de violência no corpo da criança.
De acordo com a delegada, a tia afirmou que no dia da morte, percebeu que Samylle apresentava lesões. Ela havia chegado em casa após o trabalho e teve uma discussão com o companheiro após questioná-lo sobre os ferimentos.
"A menina foi para o quarto dormir. Quando a tia passou, a menina estava na cama, dormindo. Viu que ela apresentava uma espuma pela boca, como se estivesse convulsionando”, conta a delegada.
A mãe de Samylle foi ouvida pela polícia pela primeira vez na manhã de quarta-feira (19). A mulher chegou à delegacia pouco antes das 11h, acompanhada de uma advogada, e prestou depoimento por cerca de uma hora. Os policiais questionaram o motivo de a criança não estar com a mãe, que possuía a guarda unilateral.
A mãe dela disse à polícia que não via a filha há pelo menos dois meses. De acordo com a polícia, a mulher relatou que não tinha contato com a menina "nem por videochamada".
"Todas as informações que ela tinha da menina eram ou através da avó ou através da irmã mais velha. Ela não estava tendo contato nem por videochamada nem presencialmente com a menina."
Segundo a defesa da mulher, ela era impedida pela tia de ver a filha.
"A mãe afirma que vinha sendo impedida pelos tios de visitar a filha e até mesmo de conversar com ela por telefone. As únicas informações eram obtidas por meio da irmã mais velha, que eventualmente conseguia visitá-la."
Ainda segundo a polícia, a mãe detalhou como as filhas foram divididas. "Acabou se separando do companheiro e foi para a casa de uma amiga. Ela não teria como levar as meninas consigo. Em razão disso, a menina mais velha passou a morar com o pai, e a menina mais nova ficou sob tutela de uma amiga, uma pessoa de confiança que morava na mesma rua. Logo em seguida, a tia pegou a criança para ficar consigo", explica a delegada.
A tia de Samylle já foi ouvida pelos investigadores. De acordo com a delegada, a mulher colaborou com as autoridades. "Prestou todas as declarações e até o presente momento ela ainda é considerada testemunha."
Para auxiliar na investigação, a Justiça autorizou a extração de dados de um celular apreendido na casa dos tios, onde a menina estava morando. O conteúdo do aparelho é considerado crucial pela polícia para entender o contexto da morte.
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