Brasil

3 de janeiro de 2021 10:19

Secretário fala em ‘fechar praias’ mais uma vez caso Covid-19 avance em Santos

Medidas podem ser adotadas durante o mês de janeiro após deliberação das pastas municipais responsáveis.

↑ Placas avisam sobre fechamento das praias em Santos, SP (Foto: Juliana Steil/G1)

Com as praias fechadas com gradis e telas entre quinta-feira (31) e sábado (2) para evitar aglomerações na faixa de areia durante a passagem de ano, Santos, no litoral de São Paulo, pode voltar a adotar essa e outras medidas restritivas durante o mês de janeiro, caso os índices da pandemia voltem a apresentar alta durante a temporada de verão, quando o município costuma receber milhares de turistas.

Em entrevista ao Baixada em Pauta, podcast do G1, o Secretário de Segurança de Santos, Sérgio Del Bel Júnior, afirma que a pasta não hesitaria diante de uma ordem dessas. Apesar de reconhecer que as medidas são ‘antipáticas’ e ‘drásticas’ perante a população, restrições do tipo são “absolutamente necessárias para proteger a saúde da população, tanto dos moradores, quanto dos turistas” que visitam o município.

Falando especificamente das praias da cidade, o secretário relembra que a administração municipal cancelou quaisquer tipos de eventos nas praias, como as tendas de verão e queimas de fogos.

“Então a gente espera que, passado esse pico dos dias 31 e 1º, não necessite retomar essas medidas […]. Mas tem um detalhe: se for necessário, a gente não vai hesitar em repetir isso”, enfatiza o secretário.

Ele diz, ainda, que todas as decisões são tomadas por diversas pastas municipais e lideradas pelo prefeito. “Sempre calcadas, principalmente, nos números de internações, na velocidade de contágio das pessoas e também no número de pessoas que vêm à óbito nessas internações. É um conjunto de fatores”.

Ele diz que o município tem capacidade para lidar sozinho com a medida, caso vier a ser adotada novamente. No final de dezembro, o Conselho de Desenvolvimento da Região Metropolitana da Baixada Santista (Condesb) pleiteou o reforço do Estado para implantar medidas de restrição na cidade, mas o pedido foi negado pois, de acordo com o Governo, os municípios é que são responsáveis por fiscalizar as praias.

‘Vou ligar pro Del Bel’

O Secretário de Segurança Sérgio Del Bel Júnior se tornou nacionalmente conhecido quando o desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo, Eduardo Siqueira, foi flagrado humilhando um guarda civil municipal após ser multado por não utilizar máscara enquanto caminhava na praia.

Em vídeos publicados pelo G1, durante a discussão, o desembargador chega a ligar para Del Bel, tentando intimidar os GCMs e buscando apoio para o descumprimento do decreto municipal.

No entanto, Del Bel assegura que deu suporte aos GCMs envolvidos na confusão, mesmo antes do início da repercussão do caso. “Assim que desliguei o telefone com ele [desembargador], liguei para o comandante da GCM e pedi para que eles fossem parabenizados pelo desempenho na abordagem. Em três minutos, eles já haviam tido meu retorno”, contou.

“Esse episódio é algo que já passou e tomou uma proporção enorme, no país e no exterior, servindo para mostrar para as pessoas que a GCM deve ser valorizada e que está preparada para lidar com situações atípicas como essa, que ocorreu nessa pandemia”, disse.

Segundo o secretário, durante toda a pandemia, mais de 500 pessoas foram multadas pelo não uso de máscaras em Santos, no valor inicial de R$ 100.

Ele diz que ainda está “reagindo a isso”. “É impressionante o poder que as mídias e a imprensa em geral têm. Até hoje buzinam quando me veem e pedem para tirar foto […]. Fiquei um pouco preocupado, porque ninguém gosta de ver seu nome visto dessa forma”, confessa.

Como no caso do desembargador, a pandemia de Covid-19 trouxe novos desafios para a segurança, com novas demandas. “Além de atender as ocorrências normais de segurança pública, temos agora as ocorrências em relação à saúde”, diz o secretário.

Na visão dele, os jovens formam o público que menos segue as regras sanitárias de prevenção. “Tem um grupo de pessoas que são extremamente refratárias a qualquer tipo de orientação dos técnicos da área da saúde, relativo ao uso de máscara, [aglomerações em] ‘barzinho’, restaurante”, conta. “De nada isso vai adiantar se o cidadão não tomar consciência que ainda estamos em pandemia. E essa doença é grave e está vitimando as pessoas”, finaliza.

Fonte: G1

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