Brasil

5 de julho de 2020 12:23

Estudante é morto a tiros após correr durante operação policial em SP

De acordo com a prima, mais de 24h após o ocorrido, a família ainda não havia conseguido ver o corpo do adolescente. Caso ocorreu em Guarujá, SP

↑ Família afirma que adolescente trabalhava com o pai e não tinha envolvimento com crime (Foto: Arquivo pessoal)

Um jovem de 17 anos morreu em uma operação da Polícia Militar na comunidade Vila Rã, em Guarujá, no litoral paulista. De acordo com relatos da família neste domingo (5), ele havia ido ver alguns amigos quando começou o tiroteio. Ainda não se sabe de onde partiu o tiro que o atingiu. Segundo testemunhas, o jovem foi alvejado ao correr para se esconder durante uma troca de tiros.

Segundo a técnica de enfermagem e prima do jovem Tailane Lustosa, o menino era estudante e não tinha antecedentes criminais ou envolvimento com drogas. Paulo Thiago Pereira da Silva foi atingido por dois tiros próximos da região umbilical, de acordo com laudo médico.

“Estou acompanhando todos os trâmites com a minha tia e com o meu tio. Ele era filho único e na noite de sexta-feira (3) foi ver alguns amigos de bicicleta, coisa de adolescente. Nunca esperávamos que isso poderia ocorrer. Todo sábado ele trabalhava com o pai na pizzaria deles e estava no último ano do ensino médio”, relata.

Tudo o que a família soube foi por meio de testemunhas, já que moram no Areião, uma comunidade bem próxima a Vila Rã. “Nos informaram que tudo ocorreu por volta das 19h30 e, quando começou a troca de tiros, meu primo correu, por medo. Não sabemos como foi esse tiro que o atingiu, de onde partiu e em qual local específico da Vila Rã, não recebemos nenhuma informação oficial sobre o caso. Quando nos avisaram fomos até a UPA e soubemos lá que ele havia morrido”, relata.

Tailane relata que até 20h deste sábado (4) a família ainda não tinha visto o corpo do adolescente. “No hospital não nos deixaram ver e nem no IML conseguimos. Só vimos o corpo na hora do velório, em que só foi possível ver o rosto, que estava normal”, diz.

“Eu também correria em meio a um tiroteio, acho que qualquer um teria medo e faria isso. Era um menino novo, com a vida pela frente. Tudo que sabemos é que meu primo foi morto nessa troca de tiros, sem sequer ter envolvimento com o crime.”

De acordo com a prima, na sexta foram na delegacia uma irmã e o pai da vítima. “Era por volta de 21h30 quando chegaram. Ficaram até quase 1 hora da manhã e não foram atendidos. Como nunca mexemos com isso, eles voltaram e fomos no outro dia pela manhã de novo até a Delegacia. Chegando lá soubemos que o boletim já havia sido registrado e que teríamos que ir até o IML de Praia Grande para liberar o corpo. Imagina se não tivéssemos o dinheiro da passagem”.

A família foi até o Instituto Médico Legal (IML) e, conforme relata a técnica de enfermagem, inicialmente acreditaram que o corpo seria liberado no período da tarde de sábado, então foi marcado o velório e o enterro do jovem. Mas isso não ocorreu. “Ficamos a tarde toda lá esperando, um descaso. Voltamos para casa e foi remarcado o velório e enterro apenas para o período da noite”, diz.

G1 entrou em contato com a Polícia Militar e com a Polícia Civil, questionando maiores detalhes sobre a operação e porque teria ocorrido a morte do jovem. Mas a Secretaria de Segurança Pública (SSP) apenas informou que o caso foi registrado como morte decorrente de intervenção policial e legítima defesa e está sob investigação.

Já a Polícia Militar se limitou a dizer que apura os fatos por meio de Inquérito Policial Militar (IPM). Em contato com a investigação da Deic, foi informado que eles não podem falar sobre investigações em andamento, devido a diretrizes que seguem.

Nenhum outro detalhe da ocorrência foi explicado à família ou ao G1 até a última atualização desta reportagem.

Fonte: G1

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