Brasil

2 de janeiro de 2019 19:47

FENAJ emite nota de repúdio contra desrespeito com jornalistas em posse de Jair Bolsonaro

Presidente do Sindjornal disse que situação foi absurda

↑ Imagem ilustrativa

A Federação Nacional dos Jornalistas (FENAJ), entidade de representação nacional da categoria, emitiu nota de repúdio, nesta quarta-feira (2), por causa das restrições ao trabalho de jornalistas e ao tratamento desrespeitoso dispensado aos profissionais durante a posse do presidente Jair Bolsonaro, ocorrida nesta terça-feira, 1º de janeiro, em Brasília.

De acordo com a FENAJ, os profissionais da imprensa foram obrigados a cumprir um horário injustificado, tendo de se apresentar para a cobertura do evento às 7 horas da manhã para uma solenidade marcada para o início da tarde. “Os jornalistas tiveram de se deslocar para os locais de cobertura em veículos disponibilizados pelo governo, não puderam circular livremente (alguns correspondentes estrangeiros consideram o confinamento obrigatório como cárcere privado), passaram por privação de água e ainda foram ameaçados, caso desrespeitassem as rígidas regras de comportamento anunciadas. Quem não respeitasse as restrições de acesso ou mesmo fizesse movimentos bruscos (aviso especial aos repórteres fotográficos, que não deveriam erguer suas câmaras), poderia se tornar alvo dos atiradores de elite”, diz a nota.

Sindjornal

O presidente do Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Estado de Alagoas (Sindjornal), Izaías Barbosa, disse que a situação que a imprensa passou durante o evento político foi absurda. “Como alguns correspondentes descreveram, foi praticamente um cárcere privado. Você ficar privado de coisas básicas, como água, por exemplo, da manhã até o início da tarde é uma falta de respeito com o profissional que estava ali para divulgar para a população a posse presidencial. É inadmissível que o Governo Federal tome uma postura dessas. O que a gente espera é que tenha sido um grande mal-entendido e ficamos torcendo para que o Governo não tome mais uma atitude desrespeitosa como essa”, afirmou o presidente.

Segundo a FENAJ, na história recente do país nunca houve restrições ao trabalho de profissionais da imprensa para a cobertura das posses dos presidentes eleitos pela população brasileira. A FENAJ afirma que, aos profissionais credenciados, foi anunciado, por uma assessora do novo governo, que se tratava de “uma posse diferenciada e todos tinham que entender isso”.

“A diferença, entretanto, foi uma demonstração inequívoca de que o novo governo acha-se no direito de desrespeitar uma das regras essenciais das democracias: a liberdade de imprensa. A segurança não pode ser justificativa para medidas autoritárias e abusivas, que visam, na verdade, dificultar o trabalho dos jornalistas e restringir a produção e a livre circulação da informação. O verdadeiro aparato de guerra montado para a posse revela que a tática de Bolsonaro de espalhar o medo, utilizada na campanha eleitoral, será mantida no governo”, diz a FENAJ.

A FENAJ soma-se ao Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal, que já havia denunciado as medidas restritivas ao trabalho da imprensa quando do credenciamento dos profissionais, e exige das autoridades do novo governo uma mudança no tratamento dispensado aos jornalistas no exercício da profissão. A Federação também cobra das empresas de comunicação postura mais firme na defesa de seus profissionais e da liberdade de imprensa. “A maioria das empresas nem mesmo denunciou as medidas restritivas imposta pelo governo e o tratamento desrespeitoso dispensado aos jornalistas. Não podemos naturalizar medidas antidemocráticas, para que não se tornem a regra. A democracia exige vigilância e estaremos vigilantes”, finaliza a nota da Federação.

Fonte: Texto: Rívison Batista com assessoria FENAJ

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