Brasil

27 de novembro de 2018 10:11

Sem médicos após saída de cubanos, postos só conseguem medir pressão de pacientes

Em Avaí (SP), que perdeu três profissionais, só há equipes de enfermagem nas unidades de saúde. No Centro-Oeste Paulista, 33 municípios estão com atenção básica de saúde prejudicada

↑ Sala de espera de UBS de Avaí tem ficado vazia pela ausência de médicos: só ha equpes de enfermagem (Foto: TV TEM/Reprodução)

Os moradores de Avaí (SP) estão sofrendo os efeitos da saída dos médicos cubanos que deixaram o programa Mais Médicos do governo federal.

A partir desta segunda-feira (26), apenas alguns serviços, como aferição de pressão, estão sendo feitos na cidade pelas equipes de enfermagem, já que não há nenhum médico nas Unidade Básica de Saúde (UBSs).

O município contava com três profissionais cubanos e, agora, integra a lista de 33 municípios do Centro-Oeste Paulista que ficaram sem nenhum profissional e, por isso, com a atenção básica de saúde bastante prejudicada.

Avaí não possui pronto-socorro e todos os atendimentos são por ordem de chegada UBS e ou então no programa Saúde da Família.

“Eu contava com três médicos cubanos, que atendiam na atenção e agora estamos sem. São 120 consultas por semana não poderemos oferecer para a populção”, disse Ivone Carrinho Basílio, secretária de Saúde de Avaí.

Segundo o Ministério da Saúde, quase todas as vagas (97,2%) para substituir os cubanos já foram preenchidas por profissionais brasileiros, como é o caso Avaí.

A situação em Avaí segue preocupando os usuários do sistema de saúde, pelo menos até que os novos médicos se apresentem – o prazo para isso é o dia 14 de dezembro.

“Foi uma pena eles [médicos cubanos] terem ido embora nestas circunstâncias, pois eles eram de grande valia para o atendimento da população de Avaí”, disse a aposentada Neusa Maria Carvalho.

Avaí conta três especialistas, nas áreas de cardiologista, ginecologista e pediatra. Segundo a prefeitura, eles devem ajudar a suprir a demanda da atenção básica neste período.

Mais vagas
O Ministério da Saúde abriu 8.517 vagas em quase 3 mil municípios e 34 distritos indígenas após Cuba anunciar a saída do programa no último dia 14, alegando declarações ‘ameaçadoras’ do presidente eleito Jair Bolsonaro.

Durante a campanha, Bolsonaro disse que expulsaria médicos cubanos com base na prova que valida diplomas estrangeiros para os profissionais da medicina atuarem no país (Revalida). Depois de eleito, propôs que, para permanecer no Brasil, os médicos cubanos deveriam se submeter a teste de capacidade, receber salário integral e ter a liberdade de trazer suas famílias ao país.

Em novembro do ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) validou o Mais Médicos e autorizou a dispensa da validação de diploma de estrangeiros ao julgar ações que questionavam pontos do programa federal.

O balanço mais atual do Ministério da Saúde indica que, além dos 8.278 profissionais alocados, outros 21.407 tiveram a inscrição efetivada, mas sem a escolha do local de atuação. Ao todo, foram 30.734 inscritos com registro no Conselho Regional de Medicina (CRM) no Brasil.

Fonte: G1

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