Brasil

26 de janeiro de 2017 23:51

Polícia encerra inquérito sobre chacina sem saber origem de arma

Segundo SSP, investigação concluiu que o crime foi passional e premeditado

A Polícia Civil informou, em nota oficial nesta quinta-feira (26), que encerrou o inquérito sobre a chacina que matou 12 pessoas da mesma família durante uma festa de réveillon, em Campinas (SP). De acordo com a Secretaria de Segurança Pública (SSP-SP), a investigação não identificou a origem da arma utilizada pelo atirador porque “não há qualquer registro em todos os bancos de dados pesquisados”.

Ainda segundo a SSP, a Polícia Civil de Campinas concluiu também que o crime foi passional, premeditado e não contou com a ajuda de terceiros. Depois da perícia no local e na arma, foi confirmado que as mortes foram decorrentes somente da arma utilizada pelo autor. Ainda foram analisados os documentos apreendidos na casa do atirador, como telefone celular e computador pessoal.

Entre a noite de 31 de dezembro e a madrugada de 1º de janeiro, Sidnei Ramis de Araújo pulou o muro de uma casa na Vila Proost de Souza, assassinou a ex-mulher, Isamara Filier, de 41 anos, o filho de 8, outras dez pessoas e se matou na sequência.

Perícia

Segundo o Instituto de Criminalística, o atirador arrombou dois quartos à procura da ex-mulher e do filho. O laudo do local do crime ficou pronto no dia 19 de janeiro e apontou sinais de arrombamento em dois cômodos da residência.

Segundo o diretor do IC, Edvaldo Messias Barros, a ex-mulher e o filho do atirador foram os últimos a serem atingidos porque se esconderam nos quartos. O laudo da perícia também apontou onde estava cada vítima no momento do crime e fez uma estimativa de quantos tiros foram dados. “Os peritos apontaram pelo menos 26 disparos”, disse.

Machismo e misoginia

A Entidade das Nações Unidas para a Igualdade de Gênero e Empoderamento das Mulheres (ONU Mulheres) se manifestou em repúdio à chacina. De acordo com a nota oficial, o crime não é um caso isolado ou vingança pessoal, mas sim uma violencia de gênero fruto do “machismo e da misoginia”.  O órgão também reiterou compromisso em defesa da Lei Maria da Penha.

O último sobrevivente da chacina recebeu alta médica no dia 17 de janeiro. O rapaz de 44 anos estava internado no Hospital Municipal Dr. Mário Gatti desde o dia do crime. Na última semana, ele passou por uma cirurgia, mas a unidade médica não deu detalhes sobre o procedimento. No dia 9 de janeiro, outro ferido na série de assassinatos também teve alta. Admilson de Moura, de 45 anos, estava no Hospital Celso Pierro.

Áudios, carta e diário

O atirador da chacina gravou uma série de áudios onde conta sobre a suposta compra da arma usada nos assassinatos e pede perdão “pelos transtornos”. Entre as gravações obtidas pela EPTV, ele menciona que ocultou a numeração da pistola para tentar proteger a suposta vendedora e espera que ela não saiba sobre o uso. “Eu raspei toda essa numeração para que ninguém consiga prejudicar a mulher, coitada. Espero que ela nem fique sabendo disso, senão ela vai pensar que vai morrer, vai para o inferno e vai deixar os filhos aí.”

Antes dos crimes, o atirador também escreveu uma carta para os amigos e a namorada, além de mensagens para o filho. No documento de oito páginas, ele explica que estava se vingando da ex-esposa porque ela dificultava seu relacionamento com o filho, escreve frases de ódio contra as mulheres, se diz injustiçado e ainda fala dos planos de assassinar a família.

Além da carta e dos áudios, Araújo também deixou um diário, onde há relatos da convivência com a ex-mulher e mandou mensagens ao filho. Nas 44 páginas do caderno, escrito desde 2012, o atirador conta a briga judicial com Isamara e demonstra que premeditava o crime.

As mortes

Araújo invadiu a casa na Vila Prost de Souza com a pistola, dois carregadores, um canivete e dez explosivos. Ele atingiu 15 pessoas, sendo que 11 morreram no local e uma das vítimas socorridas não resistiu. O filho dele foi o último a ser assassinado antes do suicídio.

O atirador, de 46 anos, trabalhava como técnico no Centro Nacional de Pesquisa em Energia e Materiais (CNPEM), que reúne alguns dos principais laboratórios de estudos e inovação do governo federal. Por meio de nota, a instituição lamentou o ocorrido.

Fonte: G1

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