23 de maio de 2020 08:28

Isolamento social pode provocar alterações no sono

Ansiedade, medo, excesso de informações e mudança na rotina são fatores apontados como vilões na regulação do repouso noturno

↑ Ausência ou má qualidade do sono pode provocar problemas; é preciso estar atento aos sinais de alerta (Foto: Adailson Calheiros)

Problemas com o sono durante o isolamento social? Fatores como a mudança na rotina, o excesso de informações e o acúmulo de ansiedade contribuem diretamente para a qualidade, quantidade e regulação do sono.

Segundo psicólogos ouvidos pela Tribuna Independente a ausência ou má qualidade de sono pode provocar problemas. Além disso, é preciso estar atento aos sinais de alerta.

“Antes de mais nada a gente tem que entender que isso não é uma coisa geral, não acontece com todas as pessoas que passam pelo confinamento, nesse processo de pandemia em todo o planeta. Lógico, quem está literalmente dentro de casa, seguindo a quarentena, que teve a sua rotina totalmente cancelada, adiada ou desprogramada, essas pessoas vão ter que se reinventar, se readaptar a essa nova realidade. Uma boa parte vai conseguir, outra não. E essa parcela que não consegue lidar com essa nova realidade vai ter problemas com o sono”, destaca o psicólogo Carlos Gonçalves.

Os primeiros efeitos do isolamento social no sono são, segundo o psicólogo, motivados pela desprogramação da rotina.

“As pessoas que não conseguem ter uma noite de sono saudável, ou não têm mais o sono que tinha. Vamos dizer que a pessoa já tinha o comando no cérebro de que às 22h ia dormir, mas com a quarentena, com a rotina desprogramada há uma mudança interna na percepção da pessoa que está passando por isso porque a pessoa em casa, muitas vezes, mesmo que esteja trabalhando remotamente, há diferença. A pessoa sente que não está interagindo e o cérebro vai meio que entendendo que coisas foram tiradas e esse sentimento vai sendo processado através de alguns sintomas como ansiedade, angústia, perturbação de pensamentos. Aliado a isso temos um bombardeio intenso de informações sobre o Covid-19 e esse acúmulo com o processo que a pessoa já está vivenciando internamente com o isolamento é uma contribuição muito pesada e negativa”, pontua o psicólogo.

Carlos Gonçalves salienta ainda que crises nos relacionamentos, questões econômicas e sociais podem ser gatilhos para problemas com o sono.

“Na China houve aumento no número de divórcios, também há aumento de casos de violência doméstica. Ou seja, o Covid também veio trazer para a gente a questão dos relacionamentos, da convivência. Muitas pessoas por questões de trabalho, de escola, lazer, rotinas e atividades passavam muito pouco tempo dentro de casa e o fato de ter que conviver, ter que se relacionar gera conflitos, muito sofrimento e isso é também perturbador e é um ‘tirador’ de sono. As questões financeiras, ver pessoas perdendo a vida, tudo, a gente não pode esquecer nada disso, algumas pessoas conseguem abstrair, elaborar uma rotina, outras não, entram no ócio e esse sono não reparador gera o despertar do sono, a pessoa acorda no meio da noite para ir ao banheiro ou para pensar em questões e a pessoa acorda sem sentir que descansou, isso gera fadiga, irritabilidade e falta de concentração”, diz Gonçalves.

A também psicóloga Amanda Araújo acrescenta que a ansiedade, apesar de necessária à sobrevivência, pode se tornar um risco para a saúde emocional. Em tempos de pandemia, a situação pode ser ainda mais agravada.

“Devido ao isolamento social muitas pessoas estão tendo crises de ansiedade, de depressão, fobia… Uma forma de você lidar com a ansiedade é você aceitar a sua ansiedade. Ou seja, aceite o que você estar sentindo naquele momento mesmo que pareça difícil pra você. Como vimos nosso corpo vai dar vários sinais então tente identificar o que você tá sentindo naquele momento e aceite. Substitua seu medo, raiva e rejeição por aceitação”, aponta Araújo.

As saídas apontadas pelos especialistas são além do enfrentamento da ansiedade, a prática de bons hábitos, sejam antigos ou a criação de novos hábitos que contribuam com o bem estar.

“Faça exercícios físicos mesmo estando em casa, pois é uma forma de liberar endorfina (neuro-hormônio) e ao ser liberada estimula a sensação de conforto, bem estar. Faça coisas que te dão prazer, como lê um livro, cozinhar, ouvir uma boa música, ter uma alimentação saudável, dormir na hora certa, escolher um horário pra ver os noticiários, focar nas evidências positivas.”, comenta Amanda Araújo.

Ela reforça que existem sinais que indicam quando é necessário procurar ajuda especializada. “Alguns sinais são: falta de ar, suor frio, vontade constante de ir ao banheiro, palpitações e dor no peito, estar sempre tenso e preocupado, dificuldade de concentração, irritabilidade, antecipar o pior, inquietação, tontura, tensão muscular, dor de estômago… Se esses sinais estão sendo constantes é hora de pedir ajuda. Isso significa que uma luz vermelha, ou seja, um sinal de alerta foi acionado”, enfatiza.

 

Fonte: Tribuna independente / Texto: Evellyn Pimentel

Comentários