28 de abril de 2018 09:01

Litoral Norte de Alagoas concentra igrejas seculares

Templos carregam cultura portuguesa e holandesa

↑ Histórica Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, finalizada no início do século XVI (Foto: Maurício Silva / Cortesia)

A segunda reportagem sobre as igrejas históricas trata das construções encontradas ao longo do litoral de um importante período colonial. Para entender, os holandeses, que ocuparam as terras da capitania de Pernambuco, que incluía Alagoas, eram calvinistas, e não católicos. Apesar de a história relatar que todas as igrejas católicas construídas em Alagoas Boreal foram erguidas pelos portugueses, principalmente pelos donos de sesmarias e padres missionários, muitos ainda insistem que pelo menos em dois municípios, Barra de Santo Antônio e Japaratinga, as igrejas foram erguidas pelos holandeses.

Os frades carmelitas fundaram à margem do Rio Persinunga, o aldeamento missionário de Nossa Senhora da Assunção. Os frades beneditinos fundaram no Oiteiro de São Bento, em Maragogi, a igreja e o recolhimento que hoje se encontram em ruínas e os franciscanos fundaram a igreja e o aldeamento de Porto de Pedras. E foram ainda frades carmelitas que fundaram o hospício que existiu em Camaragibe.

Em Japaratinga, entre as mais importantes merecem especial destaque a Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias; a Igreja de Santa Luzia e as ruínas da igreja de Barreiras do Boqueirão. A Igreja Matriz de Nossa Senhora das Candeias é a mais antiga da cidade. Foi construída pelos portugueses no século XVIII. Atualmente mantém conservado o seu estado original. A Igreja de Santa Luzia está situada no Brejo de Bamburral e merece destaque um belíssimo cruzeiro do seu átrio.

Em Maragogi várias igrejas já entraram no roteiro dos guias de turismo. A Matriz de Santo Antônio, que foi construída no final do século XIX e está localizada na Praça de Santo Antônio. É uma das igrejas mais importantes de Maragogi. A Igreja de Nossa Senhora da Guia é outro importante monumento religioso, quase da mesma época e a misteriosa Igreja de São Bento, situada na colina que tem o mesmo nome, construída no século XVII.

Existem controvérsias sobre as origens do templo. Algumas fontes dizem que a foi feita sobre a estrutura de um mercado cujo dono era um francês. Outra versão, essa repetida por muitos moradores mais velhos do povoado, é de que a Igreja de São Bento teria sido construída por um retirante que veio do Sertão, no século XVII.

Ao conseguir se estabelecer no povoado, ele mandou erguer uma capela em agradecimento a São Bento e essa capela seria depois ampliada, chegando à configuração que teve até desmoronar. Uma imagem referente ao templo pode ser vista na placa do Iphan, junto das ruínas, que indica que ele já aparecia em mapas feitos no ano de 1643, pelo cientista alemão Marcgraf, que veio com os holandeses, na comitiva de Maurício de Nassau.

Porto Calvo tem uma das primeiras de Alagoas

 

Fora do roteiro turístico do Litoral, duas igrejas aparecem entre as mais importantes da região. Em Porto Calvo, rumo à parte alta da cidade, temos uma verdadeira relíquia: A Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, erguida em 1610. O templo já sofreu várias modificações desde sua fundação e muitas escavações foram feitas ali pra tentar desvendar como poderia ser a área há 400 anos. Há vestígios de um cemitério onde eram sepultados membros das ordens religiosas e também sacerdotes, porém, nessa igreja não há mais o uso do espaço pra enterros.

A histórica Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação, finalizada no ano de 1610, sendo uma das primeiras erguidas em Alagoas, é um prédio tombado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan), onde são promovidas quermesses e festas religiosas. Considerada Monumento Nacional desde 1952. A construção traz estampada em seu frontispício a data de 1610, como ano de sua conclusão.

Em Matriz de Camaragibe, a Igreja de Bom Jesus, uma das belas da região Norte, data do século XVI. A festa do padroeiro já é comemorada há mais de 300 anos. O município de Matriz de Camaragibe desenvolveu seu núcleo, enquanto povoado, no então Alto do Outeiro, hoje Alto da Igreja Velha, onde está instalado um cruzeiro. Ao receber como doação de sua irmã, Dona Brites Pimentel (grande proprietária de terras e de sete engenhos de açúcar) um de seus engenhos na povoação de Camaragibe, José de Barros Pimentel, já em sua primeira visita, doou uma parte de suas terras a Gonçalo Moreira, para que fosse construída a Igreja de Bom Jesus.

MISTÉRIO

Em Porto de Pedras, com praias lindíssimas e desertas, onde só a natureza prevalece com um mar azul turquesa, vasto coqueiral e piscinas naturais incríveis, uma espécie de mistério está guardado em uma pequenina capela católica que possui em seu interior uma serpente negra. Isso mesmo, uma enorme serpente negra alada com uma boca enorme e dentes afiados, como se estivesse cuspindo fogo, mas que não faz mal a ninguém. A serpente é uma escultura em madeira cuja data ainda não é precisa, mas segundo os moradores está lá desde o início do povoamento da região.

Os moradores contam muitas histórias para explicar a presença da imagem da serpente na capela. Uma delas seria a existência de uma serpente gigante com asas no Rio Manguaba e que na época do início do povoamento da região teria causado muitas mortes de quem navegava, entre Porto Calvo e Porto de Pedras. As mortes só teriam cessado com as orações dos fiéis a Nossa Senhora da Piedade, nome da pequena igreja. Por isso atualmente a imagem da Santa fica de frente para a serpente impedindo que ela volte às águas do Rio Manguaba, e é a única que não deixa a igreja na procissão, para garantir que a serpente fique presa na igreja.

Existem comentários entre os moradores de que uma mesma imagem dessas existia na Igreja Matriz de Nossa Senhora da Apresentação em Porto Calvo e seria um símbolo de força das duas cidades unidas pelo majestoso Rio Manguaba, que tem um formato de serpente e chega até o oceano.

Fonte: Tribuna Independente / Claudio Bulgarelli

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