Saúde
Janeiro Roxo: campanha conscientiza sobre prevenção e combate à hanseníase
O Janeiro Roxo é uma campanha nacional dedicada à conscientização, prevenção e combate à hanseníase, com foco no diagnóstico precoce e no tratamento adequado. No Brasil, ainda há muitos casos da doença, especialmente em regiões mais vulneráveis. Segundo o Boletim Epidemiológico de 2025, a Índia, o Brasil e a Indonésia concentraram cerca de 79% dos novos casos detectados no mundo.
De acordo com Julio Oliveira, coordenador do curso de Enfermagem da UNINASSAU Maceió e membro do Movimento de Reintegração das Pessoas Atingidas pela Hanseníase (MORHAN), a doença é infectocontagiosa crônica, causada pela bactéria ‘Mycobacterium leprae’, também conhecida como bacilo de Hansen. “Os sintomas podem levar anos para surgir após a infecção. A bactéria afeta principalmente a pele, os nervos periféricos e algumas mucosas, como o nariz, causando alterações de sensibilidade e na coloração da pele. A transmissão ocorre por gotículas respiratórias em contatos próximos e prolongados com pessoas não tratadas”, explica.
Contato casual, aperto de mão ou compartilhamento de objetos não transmitem hanseníase. O termo ‘lepra’, apesar de ser conhecido popularmente, reforça o estigma, preconceito e exclusão social das pessoas atingidas pela enfermidade. “Na bíblia, a lepra era associada a castigo ou impureza, não refletindo o conhecimento científico atual sobre o assunto. A condição tem tratamento e cura, e o uso do termo correto contribui para reduzir o preconceito, o medo e a desinformação”, destaca o coordenador.
O especialista apontou alguns sintomas, como manchas na pele (sejam claras, avermelhadas ou acastanhadas, com ou sem bordas), alterações de sensibilidade ao toque (perda, diminuição ou aumento), além de sensação de calor ou dor nas áreas afetadas. “Pode ocorrer, ainda, formigamento ou dormência nas mãos e pés, quando há espessamento dos nervos, que podem causar dor. Fraqueza muscular e feridas que não cicatrizam também são sinais de alerta. Nem sempre todas essas alterações estão presentes, e a progressão pode ser lenta e passar despercebida”, enfatiza.
O tratamento é ofertado de forma gratuita pelo Sistema Único de Saúde (SUS), levando o indivíduo afetado a alcançar a cura. Atualmente o tratamento é feito com a Poliquimioterapia Única (PQT-U), possuindo três antimicrobianos (rifampicina, dapsona e clofazimina). “O tratamento dura seis meses na forma paucibacilar e 12 meses na forma multibacilar, considerada mais grave. A primeira dose é supervisionada na unidade de saúde, e as demais seguem em casa. Após iniciar o tratamento, a pessoa deixa de transmitir o bacilo de Hansen, mas precisa concluir todo o esquema para alcançar a cura”, detalha Julio.
Segundo o profissional, sem tratamento, a pessoa afetada pode desenvolver danos permanentes aos nervos, gerando deformidades físicas, aumento das lesões na pele, perda de pelos e de força muscular, surgimento de feridas crônicas e infecções secundárias, além das limitações funcionais e todo o impacto psicológico e social. “A prevenção da hanseníase envolve diagnóstico precoce, tratamento e investigação de contatos próximos. A vacina BCG oferece proteção parcial e é indicada para familiares e conviventes, conforme orientação dos serviços de saúde. Também é essencial cuidar da saúde emocional, da integração social e dos autocuidados para evitar sequelas. Contatos próximos devem realizar acompanhamento nas unidades de saúde, mesmo sem sintomas”.
Existe uma herança histórica de isolamento e preconceito associada à hanseníase, especialmente devido ao uso prolongado do termo “lepra”, que ainda provoca medo do julgamento social e da exclusão. “A hanseníase ainda é considerada uma enfermidade negligenciada. Apesar do aumento dos esforços para combatê-la, ainda falta informação acessível e educação em saúde. Por isso, campanhas como o Janeiro Roxo são essenciais para desmistificar a doença, promover empatia e reforçar que a hanseníase tem cura”, finaliza Julio Oliveira, coordenador do curso de Enfermagem da UNINASSAU Maceió.
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