Saúde
UPAs de Maceió ultrapassam mil atendimentos por gastroenterite infecciosa em janeiro
Casos se concentram principalmente entre crianças e idosos, e altas temperaturas contribuem para o aumento das ocorrências
As Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) dos bairros Benedito Bentes, Trapiche da Barra e Santa Lúcia registraram, nos últimos dias, um aumento expressivo nos atendimentos relacionados à gastroenterite infecciosa. As unidades, administradas pelo Instituto Saúde e Cidadania (ISAC), contabilizaram mais de mil pacientes com sintomas da doença somente neste mês.
A gastroenterite infecciosa é uma inflamação que atinge o estômago e o intestino, provocando sintomas como diarreia, náuseas, vômitos, dores abdominais, febre, mal-estar e, em situações mais graves, desidratação. A alta procura por atendimento tem mobilizado as equipes das unidades de urgência e emergência da capital.
A doença é causada, principalmente, por vírus como rotavírus e norovírus, mas também pode ter origem bacteriana, a exemplo de Salmonella, Shigella e Escherichia coli, além de parasitas. A transmissão ocorre, sobretudo, por meio da ingestão de água ou alimentos contaminados e pela falta de higiene adequada das mãos.
Especialistas alertam que o calor intenso favorece a proliferação de microrganismos, especialmente quando alimentos e água não são armazenados ou manipulados corretamente. Por esse motivo, o consumo de alimentos mal conservados se torna um dos principais fatores de risco durante os períodos mais quentes do ano.
Levantamento realizado entre os dias 1º e 20 de janeiro de 2026 aponta que a UPA Benedito Bentes registrou 547 atendimentos por gastroenterite infecciosa. Na UPA Trapiche da Barra, foram contabilizados 379 casos, enquanto a UPA Santa Lúcia atendeu 136 pacientes com sintomas da doença. Ao todo, foram 1.062 registros nas três unidades.
O médico infectologista da UPA Benedito Bentes, Dr. Leandro Teitelroit, destaca que a maior parte dos atendimentos envolve crianças pequenas. “A maioria dos casos ocorre em crianças, especialmente menores de cinco anos. Os idosos também merecem atenção, pois apresentam maior risco de desidratação e complicações. Já entre adultos, os quadros costumam ser mais leves”, explicou.
Tratamento
Segundo o especialista, o tratamento da gastroenterite é basicamente de suporte, tendo a hidratação como principal medida. “A reposição de líquidos e eletrólitos é fundamental, preferencialmente por via oral. Nos casos mais graves, com desidratação moderada ou severa, pode ser necessária a hidratação venosa”, afirmou.
Além disso, podem ser utilizados medicamentos para controle de febre, dor e náuseas. O uso de antibióticos, conforme ressalta o médico, só é indicado em situações específicas e após avaliação clínica adequada.
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