Saúde

Maceió registra quase 5 mil casos de acidentes com escorpião este ano

Em 2024, capital teve total de 5.121 ocorrências

Por Valdete Calheiros / Tribuna Independente 30/12/2025 08h13 - Atualizado em 30/12/2025 17h41
Maceió registra quase 5 mil casos de acidentes com escorpião este ano
Escorpiões são animais que preferem ambientes escuros e úmidos, como quintais e locais com esgotos - Foto: Ascom Sesau

De janeiro até o momento, 4.982 pessoas foram picadas por escorpiões em Maceió, conforme dados da Secretaria Municipal de Saúde da capital. Durante todo o ano de 2024, foram 5.121 registros.

Em toda Alagoas, aconteceram – de janeiro a novembro deste ano – 13.421 acidentes com animais peçonhentos, conforme a Secretaria de Estado de Saúde (Sesau). Os dados são os mais recentes fornecidos pela Secretaria.

A quantidade é superior ao número de ocorrências registrado no mesmo período do ano passado, quando de janeiro a novembro 12.124 pessoas foram picadas pelo animal peçonhento.

Em todo o ano passado foram computados 13.296 acidentes envolvendo animais peçonhentos, de acordo com a Sesau. Não houve vítimas fatais nestes registros.

Os dados foram extraídos do Sistema de Informação sobre Agravo de Notificação do Ministério da Saúde (Sinan/MS) e fornecidos pela Sesau.

A Sesau destacou que os acidentes com escorpiões podem causar sérios riscos à saúde, especialmente para grupos vulneráveis, como crianças e idosos.

O coordenador do Programa Estadual de Controle de Zoonoses da Sesau, Clarício Bugarin, explicou que, para reduzir os riscos de acidentes, é fundamental que a população adote uma série de medidas preventivas. Os escorpiões são animais que preferem ambientes escuros e úmidos, como quintais, jardins, ralos e caixas de esgoto.

“Por isso, é importante manter esses locais limpos e livres de entulhos, folhas secas e lixo. Também é essencial vedar ralos e caixas de esgoto e colocar soleiras nas portas”, orientou ele, ao acrescentar que o cuidado com roupas e calçados também é fundamental, pois os escorpiões podem se esconder neles.

Além disso, é recomendado manter berços e camas afastados das paredes, pois esses animais buscam lugares escuros para se esconder. A adoção desses cuidados pode diminuir significativamente as chances de acidentes, principalmente entre crianças e idosos, que são mais vulneráveis.

Os sintomas da picada incluem dor intensa, vermelhidão, inchaço e sudorese no local da picada, além de náuseas, vômitos, taquicardia, dificuldade respiratória e ou até mesmo choque nos casos graves.

Ainda conforme o coordenador do Programa Estadual de Controle de Zoonoses da Sesau, Clarício Bugarin, as crianças menores de sete anos de idade apresentam maior risco de terem sintomas longe do local da picada, como vômito e diarreia, principalmente nas picadas por escorpião-amarelo, que podem levar a casos graves e requerem a aplicação do soro em tempo adequado.

“Não é em todo caso que o soro é indicado e apenas o profissional de saúde poderá fazer essa avaliação e encaminhar o paciente para tomar o soro antiescorpiônico”, finalizou.
O desalojamento de escorpiões em épocas de chuva aumenta risco de acidentes. Por isso, a Secretaria de Estado da Saúde de Alagoas (Sesau) faz um alerta para que a população adote medidas de prevenção que possam evitar acidentes com animais peçonhentos.

A Sesau explicou que os escorpiões são animais que preferem ambientes escuros e úmidos, como quintais, jardins, ralos e caixas de esgoto. “Esses locais limpos e livres de entulhos, folhas secas e lixo. Também é importante vedar ralos e caixas de esgoto e colocar soleiras nas portas”, detalhou.

Outra medida importante é checar roupas e calçados antes de usá-los e manter berços e camas afastados das paredes. Como o escorpião tem uma tendência de procurar locais escuros e úmidos, não é incomum que o animal se coloque dentro de calçados, o que oferece o risco alto de acidentes.

Ao adotar estes cuidados, as chances de sofrer um acidente com escorpião são drasticamente reduzidas.

Outro cuidado importante é cobrir os ralos e acondicionar bem o lixo, visando não atrair baratas, que fazem parte da cadeia alimentar do escorpião, além de não entulhar material de construção.

Em Alagoas, o tipo de escorpião predominante é o T. serrulatus e o T. Stigmurus (amarelo), considerado pouco perigoso em relação a outras espécies, mas que também causam preocupação, principalmente se envolver crianças e idosos.

O que fazer em caso de acidentes – Em caso de acidente, é importante procurar imediatamente uma unidade de saúde para avaliação e, se necessário, administração do soro antiescorpiônico.

A vítima deve lavar a área afetada com água e sabão para reduzir o risco de infecção.

Além disso, o ideal é buscar atendimento médico o mais rápido possível, mesmo que os sintomas pareçam leves. A gravidade do quadro pode variar de manifestações leves – como dor, inchaço e vermelhidão – a complicações como arritmias, hipertensão, dificuldade para respirar, sinais de choque anafilático e, em casos mais graves, risco de morte, especialmente quando o atendimento médico é tardio.

Os médicos não recomendam fazer torniquete, tentar sugar o veneno ou fazer cortes no local.

As crianças estão entre os grupos mais vulneráveis. Por terem menor peso corporal, ocorre uma maior proporção de veneno, que se espalha com rapidez pelo organismo. Idosos e pessoas com doenças cardíacas também merecem atenção especial.

As crianças menores de sete anos têm maior risco de complicações graves, como vômitos e diarreia, principalmente se picadas por escorpiões amarelos, e necessitam de atendimento rápido.

Caso seja possível, é importante capturar o escorpião e levá-lo até o posto de saúde para que ele seja identificado e o profissional de saúde possa adotar o tipo de tratamento correto.

Além dos cuidados com a vítima da picada do escorpião, é preciso garantir a segurança das outras pessoas no local, para evitar que mais pessoas sejam expostas ao risco.
O soro antiescorpiônico, desenvolvido para tratar o envenenamento causado por esses animais, é disponibilizado exclusivamente nos hospitais de referência do Sistema Único de Saúde (SUS).

Em Alagoas, são disponibilizado o soro antiescorpiônico em vários lugares. Em Maceió, nas UPA Galba Novaes e Jacintinho e no Hospital Escola Dr. Hélvio Auto. Em Arapiraca, no Hospital de Emergência do Agreste. Em Coruripe, na UPA daquele município. Em Delmiro Gouveia, no Hospital Regional do Alto Sertão. Em Santana do Ipanema, no Hospital Regional Dr. Clodolfo Rodrigues de Melo. Em União dos Palmares, no Hospital Regional da Mata. Em Palmeira dos Índios, na UPA daquela cidade. Em Piranhas, na Unidade Mista de Saúde Senador Afonso de Farias Melo. Em Penedo, na UPA local. Em Pão de Açúcar, na Unidade Mista Dr. Djalma Gonçalves. Em Maragogi na UPA local.

Escorpiões no Brasil

Especialistas falam em “epidemia silenciosa” de picadas de escorpião no Brasil. Nos últimos 10 anos, os casos quase triplicaram. Apesar de baixa letalidade, aumento médio anual chama atenção para possível crise de saúde pública sensível às mudanças climáticas.

Estudo brasileiro projeta mais de 2 milhões de acidentes causados por esses animais até 2033. A estimativa foi publicada em maio passado no periódico Frontiers in Public Health.
O estudo, realizado por pesquisadores das universidades Estadual Paulista (Unesp), de São Paulo (USP), Estadual do Amazonas (UEA) e Federal de Roraima (UFRR), aponta que os acidentes envolvendo escorpiões aumentaram mais de 150% nos últimos anos.

No entanto, segundo os pesquisadores, o número real pode ser ainda maior, já que muitas vítimas não procuram atendimento médico após a picada.

A coordenadora do estudo, Manuela Berto Pucca, professora da Faculdade de Ciências Farmacêuticas da Unesp em Araraquara, São Paulo, explicou que o escorpião-amarelo tem reprodução assexuada, o que permite um crescimento populacional rápido e independente da presença de machos.

Outro fator que contribui para a disseminação dos escorpiões é a facilidade de adaptação ao ambiente urbano, onde há escassez de predadores naturais – galinhas, lagartos, corujas e sapos, por exemplo.

A situação se agrava nos meses mais quentes e úmidos, períodos em que esses animais se tornam ainda mais ativos. O novo estudo reforça a necessidade de políticas pública focadas em prevenção, controle e atendimento rápido às vítimas, principalmente em áreas vulneráveis e de maior densidade populacional.

Outro ponto crucial é o controle de pragas, especialmente baratas, que são a principal fonte de alimento desses aracnídeos. Caso um escorpião seja encontrado, a orientação é não tentar capturá-lo com as mãos. Se possível, isole-o utilizando um recipiente de vidro ou plástico com tampa, para que ele possa ser encaminhado à vigilância sanitária.

Pequenos e silenciosos, os escorpiões seguem desafiando a saúde pública brasileira. Os verões mais quentes com períodos alternados de chuvas intensas e seca facilitam a proliferação.

Com a rápida e desordenada urbanização, os encontros com eles se tornaram comuns devido ao acúmulo de lixo e ao saneamento inadequado. Além desses problemas, os aracnídeos podem sobreviver 400 dias sem alimento e são bem adaptados ao ambiente urbano quente e escuro nas redes de esgoto.
Os escorpiões podem ser encontrados até em apartamentos muito altos por subir pelos canos.