Política

Ex-esposa de Arthur Lira o acusa de agressão física

Jullyene Lins usa mídias sociais, às vésperas do pleito, para denunciar ex-marido e pede ao eleitorado que “não vote em agressor de mulher”

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 02/10/2026 08h40 - Atualizado em 02/10/2026 09h53
Ex-esposa de Arthur Lira o acusa de agressão física
Jullyane Lins usou as mídias sociais para acusar o ex-marido, o deputado federal Arthur Lira, de agredi-la - Foto: Reprodução

A ex-esposa do deputado federal Arthur Lira, Jullyene Lins, usou as mídias sociais para acusar o ex-marido de agredi-la e para pedir ao eleitor que não vote em agressor de mulher. Lira já foi presidente da Câmara federal, e está na disputa pelo Senado.

Esta não é a primeira vez que Jullyene denuncia Arthur Lira de agressão. As acusações originais de lesão corporal e ameaça foram registradas por ela na Polícia Civil entre 2006 e 2007. Um exame de corpo de delito realizado na época atestou traumas físicos.

Ontem, em dois vídeos postados nas suas redes sociais, ela voltou a denunciar a truculência do ex-companheiro, que para ela não merece o voto da mulher alagoana.

“Dizem que só apareço em época de eleição, mas talvez esse seja o único momento em que vocês me ouvem”, afirmou Jullyene. “Durante anos, tentaram transformar a minha dor em mentira. Descobri da pior maneira: quando uma mulher enfrenta um homem poderoso, ela enfrenta o poder, o dinheiro e o silêncio”, acrescentou.

“Tentaram me calar com acordos e propostas [tudo documentado]. Mas quem acha que isso é sobre dinheiro, nunca entendeu o tamanho da ferida. Se fosse por dinheiro, eu já teria parado. Eu não parei! Levei a minha luta até a Corte Interamericana de Direitos Humanos para que a minha história seja ouvida”, completou ela.

Mais adiante, Jullyene, arremata: “Hoje eu sei que essa luta não é só minha. É por tudo isso: pela mulher que denunciou e ninguém acreditou; pela mulher que teve medo ou foi desacreditada; e pela mulher que ainda está em silêncio”.

Jullyene fez questão de deixar claro que não teme o poder do ex-marido, comparado a um “gangster”, pelo senador Renan Filho (PMDB), durante o debate da TV Asa Branca (Globo), na última terça-feira (29/9).

“O poder pode tentar calar uma de nós, mas não pode exigir o silêncio de todas nós”, enfatizou Jullyene Lins. Ela conta com o apoio de uma rede feminina de combate ao feminicídio e de uma rede de mulheres contra o voto em candidato agressor. Nas mídias sociais, muitas mulheres saíram em defesa dela e outras repudiaram a atitude misógina e machista do ex-presidente da Câmara dos Deputados.

“Deus abençoe sua vida e continue a ser corajosa sempre”, escreveu uma internauta, preocupada com a integridade física de Jullyene. “Acompanho sua luta desde sempre. E espero que vença por sua dignidade e confiança na justiça que um dia não te ouviu”, comentou outra interlocutora, no rodapé da mensagem da ex-mulher de Lira.

Ela recebeu também a solidariedade do coletivo de mulheres contra candidatos denunciados por agressão. “Você é uma guerreira, parabéns pela sua luta”, afirmou uma integrante desse movimento. “A senhora é uma mulher de fibra, admirável. Vá em frente”, incentivou outra.

REAÇÃO

Do início da disputa eleitoral para cá, vários veículos de imprensa noticiaram a campanha do movimento de mulheres “Nós, Alagoanas”, intitulada “Eu não voto em agressor de mulheres”, que gerou ações judiciais por parte do candidato ao Senado Arthur Lira (PP).

De acordo com portais como o Tribuna do Agreste e Tribuna do Sertão, a iniciativa instalou um boneco inflável gigante na orla de Maceió e veiculou peças de conscientização em inserções de TV e redes sociais associando o combate à violência contra a mulher à escolha de representantes, sem citar o nome do parlamentar nominalmente na peça do inflável.

Incomodado com a repercussão da atitude das mulheres, Lira acionou o Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE/AL) para pedir a retirada dos materiais de campanha e peças associadas.

O Tribunal atendeu ao pedido dos advogados de Lira e determinou a retirada imediata de quatro peças de inserção de propaganda eleitoral que associavam o candidato ao Senado às acusações de violência doméstica. A decisão foi proferida pelo desembargador Klever Rêgo Loureiro.

O desembargador entendeu que os materiais de campanha exploravam acusações de um processo do passado no qual Lira foi absolvido pelo Supremo Tribunal Federal (STF) em 2015, sem informar o desfecho judicial aos eleitores. Loureiro fixou multa de R$ 100 mil por cada nova exibição não autorizada do conteúdo em inserções de TV.

Além disso, a pedido de Lira, o TRE determinou que a Meta removesse publicações específicas no Facebook e no Instagram que reproduzissem o teor das mensagens questionadas, sob pena de multa diária de R$ 30 mil.

As inserções e peças contestadas incluíam campanhas e vídeos ligados a movimentos sociais e adversários políticos em Alagoas que debatiam o histórico de candidatos sobre violência de gênero
Apesar de a Justiça Eleitoral ter ficado do lado do deputado, a campanha das mulheres contra Lira deve continuar, pelo menos nas mídias sociais, até à véspera do pleito.

OUTRO LADO

A reportagem da Tribuna Independente tentou ouvir o deputado federal Arthur Lira, por meio de sua assessoria de comunicação, sobre a denúncia feita pela ex-mulher dele, mas o candidato ao Senado pelo PP não quis se manifestar.