Política
Nem a Chita aguentou, festa tradicional de Paulo Jacinto vira o maior “bazar do voto” de Alagoas
Por trás do brilho das atrações musicais e dos arranjos florais, o que realmente ditou o ritmo foi o pragmatismo eleitoral
Quem prestigiou os 74 anos da badalada Festa da Chita, em Paulo Jacinto/AL, presenciou um espetáculo que há muito tempo extrapolou a riqueza cultural do tecido colorido. Bastou dar um passeio na plataforma do Instagram no último fim de semana para constatar o óbvio: o tradicional evento virou a verdadeira "passarela das vaidades" da política de Alagoas.
A programação ofereceu dois dias de festividades com um pacote robusto de atrações musicais, agradando a todos os gostos — dos shows abertos em praça pública ao saudoso Baile de Clube no último sábado.
No entanto, por trás do brilho das atrações musicais e dos arranjos florais, o que realmente ditou o ritmo foi o pragmatismo eleitoral.
Em conversa com fontes locais, a avaliação é unânime: a cidade nunca testemunhou tamanha movimentação e assédio de pré-candidatos aos cargos de governo, Senado, Assembleia Legislativa e Câmara Federal. Para carimbar a presença na Festa da Chita, a engenharia da pré-campanha operou em ritmo acelerado dias antes do evento.
"Teve candidato que, para garantir sua marca no evento, dias antes promoveu um torneio de futebol de X1 com premiação tentadora de R$ 10 mil. Outros apostaram em sorteios valiosos no Mês das Mães com brindes de eletrodomésticos e até motos", revelou um morador sob reserva.
O "forasteiro" e as articulações para a Prefeitura
A farra eleitoral antecipada não se resume apenas às disputas estaduais. No plano municipal, diz a nossa fonte, o clima esquentou com a presença ostensiva de nomes externos na política paulojacintense.
É o caso da figura conhecida na região como Chico da Areia, rotulado na cidade como "forasteiro", que vem jogando pesado para emplacar sua imagem. Apoiado e impulsionado pelo calor e prestígio do deputado Antônio Albuquerque, a estratégia do grupo é clara: pavimentar o nome de Chico para ser lançado como candidato a prefeito na próxima eleição municipal.
O patrimônio cultural sob a sombra dos palanques
O Baile da Chita — nascido em 1951 com o nobre propósito socioeconômico de angariar fundos para a emancipação de Paulo Jacinto — carrega o título de Patrimônio Cultural Imaterial de Alagoas.
Contudo, a 74ª edição deixa um alerta indigesto no ar: até que ponto as tradições históricas do interior alagoano continuarão servindo de mero cenário e moeda de troca para a pré-campanha de políticos "graúdos"?
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