Política
Exclusão de candidatos competitivos em questionários de pesquisa acende alerta em AL
A Justiça Eleitoral e os próprios partidos políticos precisam agir com rigor técnico e jurídico
O cenário pré-eleitoral em Alagoas já começa a desenhar um contorno preocupante, onde a guerra de narrativas ganha o reforço de um velho — e perigoso — conhecido do eleitor: as pesquisas de opinião pública sob suspeita. O que deveria ser um instrumento científico para balizar estratégias e informar o cidadão transforma-se, não raro, em peça de propaganda e desinformação.
Os episódios registrados neste domingo, 28, ilustram com precisão cirúrgica os dois principais gargalos que comprometem a credibilidade desses levantamentos: o conflito de interesses na divulgação e a falta de rigor técnico na coleta de dados.
A divulgação na Rádio Francês FM de um suposto resultado que coloca o candidato ao Governo JHC com 57% das intenções de voto — um número que destoa completamente de outros institutos que apontam a liderança de Renan Filho — acende o primeiro alerta vermelho.
Quando o veículo que propaga o dado pertence ao pai do próprio candidato beneficiado, a fronteira entre o jornalismo informativo e o marketing político desaparece. Pesquisa eleitoral sem registro oficial, jogada ao vento em um microfone de rádio, não é estatística; é indução de comportamento. Tenta-se criar uma falsa sensação de "vitória garantida" para influenciar o eleitorado menos atento, o famoso efeito manado.
O amadorismo técnico e o prejuízo aos candidatos
Se na capital o problema é a conveniência dos números, no interior o calcanhar de Aquiles é o amadorismo metodológico. O caso registrado em Palmeira dos Índios, e denunciado pelo site Tribuna do Sertão, beira o absurdo: um instituto vai a campo e simplesmente "esquece" de incluir na relação de candidatos a deputada federal o nome da advogada Helo Bezerra (Solidariedade).
O erro, flagrado pelo eleitor Ademar Teixeira, não é um mero detalhe. Palmeira dos Índios é a principal base eleitoral de Helo, onde ela colhe os frutos políticos de uma atuação de forte apelo local — a defesa de pequenos agricultores e moradores de sítios na complexa disputa de terras contra a Funai.
Ao omitir o nome de uma candidata competitiva justamente em seu reduto principal, o instituto comete dois erros graves: Distorce a realidade: O resultado final daquele cenário nasce morto, pois não reflete as opções reais do eleitor local. Prejudica diretamente a postulação: Subestima a força política da candidata, o que pode esvaziar apoios de lideranças (como seu padrinho Ricardo Vitório e outros) que se baseiam em viabilidade eleitoral para caminhar junto.
“A Justiça Eleitoral e os próprios partidos políticos precisam agir com rigor técnico e jurídico. O eleitor alagoano merece ser tratado com respeito, e não como alvo de jogadas ensaiadas de marketing travestidas de ciência” declarou o advogado e presidente do Solidariedade em Alagoas, Adeilson Bezerra, que é justamente o pai da pré-candidata Helo.
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