Política
Ex-prefeito acusa Alfredo de investigar apenas adversários
Cristiano Matheus foi absolvido em processo e não poupou críticas ao parlamentar
Ao comemorar a sua absolvição em um processo em que era réu, o ex-prefeito de Marechal Deodoro, Cristiano Matheus (MDB), publicou um vídeo em suas redes sociais com duras críticas ao deputado federal Alfredo Gaspar de Mendonça (PL), que atualmente é pré-candidato ao Senado. Segundo Cristiano, o parlamentar que estava procurador-geral de Justiça do Ministério Público de Alagoas quando aconteceu a denúncia, tinha objetivos pessoais ao levantar tais acusações.
“Esse processo foi movido pelo Ministério Público que tinha à frente de o senhor Alfredo Gaspar de Mendoza. Vocês lembram? O Gecoc [Grupo Estadual de Combate às Organizações Criminosas] fazia aquele carnaval contra as prefeituras, contra as câmaras de vereadores. Pois bem, o Alfredo foi lá em Marechal, fez esse carnaval. Ele imaginava que as empresas que prestavam serviço em Marechal eram empresas fantasmas, em que as notas eram frias e que o serviço não tinha saído, não tinha sido feito. Eu consegui comprovar tudo isso e, graças a Deus, o processo foi arquivado. Na verdade, naquela oportunidade, Alfredo já mostrava que não queria ser mais promotor de justiça, ele queria ser era político, por isso que ele perseguia os políticos. Tanto que ele virou deputado federal”, afirmou o ex-prefeito.
SELETIVIDADE
No mesmo vídeo, ele questionou também a atuação do deputado, que segundo ele silencia as denúncias quando se trata de aliados.
“Hoje, Alfredo fez lá um grande trabalho na CPMI do INSS. Só que ele pediu a condenação e pediu a prisão de muita gente, mas só de um lado. No outro lado, infelizmente, das pessoas que lhe convém, que eram amigos, ele não fez isso. Comigo lá em Marechal foi assim também. Pois bem, ele esqueceu do caso principal. Ele esqueceu dos aposentados de Maceió, que levaram mais de 100 milhões de reais”.
Cristiano Matheus acredita que Alfredo será cobrado pelos eleitores na campanha, por conta desse tema. “Alfredo, quando estava à frente da CPMI, teve a grande oportunidade de defender os aposentados de Maceió, ter falado nesse dinheiro que foi lesado dos aposentados de Maceió, mas eu nunca vi o Alfredo tocar uma linha e dizer que levaram o dinheiro dos aposentados de Maceió. Tá faltando isso, viu Alfredo? Quando você bater na porta dos aposentados, dos familiares, as pessoas vão cobrar. E o dinheiro dos aposentados de Maceió? Por que o senhor não falou?”.
A CPMI do INSS, instaurada em 2025 no Congresso Nacional para investigar um esquema bilionário de descontos associativos irregulares e fraudes nos benefícios de aposentados e pensionistas, teve como relator o alagoano Alfredo Gaspar de Mendonça, à época no União Brasil. A atuação foi marcada por alguns embates entre parlamentares da oposição e do governo, mas o relatório final apresentado, em março deste ano, não foi aprovado pelos membros da comissão. O documento pedia o indiciamento de mais de 200 pessoas.
Já a questão relacionada a Maceió, seria no escândalo do Banco Master. Havia R$ 117 milhões do Iprev Maceió investidos na instituição quando foi anunciada sua liquidação pelo Banco Central, e prisão do dono, Daniel Vorcaro. Nos últimos dias, o senador Renan Calheiros (MDB) ingressou com uma ação na justiça pedindo o bloqueio de bens do ex-prefeito JHC (PSDB) e de ex-servidores do Iprev, por conta do investimento.
O processo ao qual Cristiano se refere, segundo imagem de documento do Tribunal de Justiça (TJ) publicada junto com o vídeo, foi arquivado porque prescreveu sem provas das acusações. Ele foi prefeito de Marechal Deodoro entre 2009 e 2016 pelo, à época, PMDB. Depois que o partido se tornou MDB, ele chegou a ser candidato a prefeito de Pão de Açúcar em 2020, mas não se elegeu. Em 2024 migrou de partido para o PL, partido atualmente presidido pelo próprio Alfredo Gaspar, onde foi candidato a vice-prefeito de Marechal, mas não se elegeu. Em março deste ano oficializou o retorno ao partido governador.
A reportagem da Tribuna Independente tentou contato com o deputado Alfredo Gaspar para se pronunciar sobre as acusações, mas até o fechamento desta edição, não houve retorno. O espaço segue aberto.
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