Política
Servidores municipais de Alagoas enfrentam o drama de prefeitos que não admitem contato com adversários
O episódio mais recente desse roteiro de intimidação ganhou holofotes nesta terça-feira (2), em União dos Palmares
A proximidade do período eleitoral costuma trazer à tona o que há de mais arcaico e cruel na política interiorana. Uma praxe antiga, mas que se renova a cada ciclo, volta a assombrar o funcionalismo público em Alagoas: a extrema fragilidade de quem depende de um emprego temporário ou de um cargo em comissão submetido às "alças" e aos caprichos do gestor de turno.
O episódio mais recente desse roteiro de intimidação ganhou holofotes nesta terça-feira (2), em União dos Palmares. O ex-prefeito Areski Freitas (Kil) e a atual vice-prefeita, Samires Ulisses — agora rompidos com o prefeito Júnior Menezes —, acusaram publicamente o chefe do Executivo municipal de perseguir servidores cujo único "crime" foi dialogar com membros da oposição nas ruas da cidade.
“Eu posso ser perseguida, mas quando a gente vê esse sentimento de pais de família que por terem alguma ligação comigo ou com Kil serem perseguidos ou perderem seus empregos, isso não pode mais acontecer!”, desabafou a vice-prefeita, que hoje faz oposição ao seu próprio titular.
O coronelismo de antigamente, que vigiava o voto na boca da urna, modernizou-se. Relatos que chegam a esta reportagem vindos de diversas cidades alagoanas apontam para uma espécie de "Big Brother" da politicagem. O político perseguidor de hoje monitora curtidas, comentários e compartilhamentos em redes sociais. Mas a nossa reportagem reforça, que o próprio Kil usou dessa prática criminosa quando administrava União, conforme apuramos com fontes da cidade.
E hoje, basta um clique de simpatia em uma publicação da oposição para que o trabalhador entre na lista negra do formato "quem for podre que se quebre".
Política Covarde
O que assistimos em União dos Palmares e em tantos outros municípios é o reflexo de uma política covarde, que confunde a máquina pública com o quintal de casa. O funcionalismo não deve obediência cega ou vassalagem a prefeito nenhum; deve serviço à população, e até porque isso é crime.
Usar a caneta para ceifar o sustento alheio por puro melindre eleitoral é o ápice da pequenez política. Enquanto o interior de Alagoas não se libertar dessa dependência crônica e dessa "raça de gente" que se alimenta do medo, a democracia continuará sendo apenas uma palavra bonita no papel — e o cidadão, um eterno refém do coronelismo digital.
Veja onde você pode denunciar esse tipo de crime em Alagoas:
Ministério Público Federal (MPF);
Tribunal Regional Eleitoral de Alagoas (TRE-AL)
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