Política
PT amplia bancada de deputados em Alagoas
Fechamento da janela partidária trouxe parlamentares Marcos Barbosa e Breno Albuquerque graças à articulação da presidência do partido
No Partido dos Trabalhadores (PT), os últimos dias de janela partidária foram marcados por tensão e reconfiguração da chapa eleitoral. Entre as tantas conversas e possibilidades levantadas, foram concretizadas as filiações dos deputados estaduais Marcos Barbosa (ex-Avante) e Breno Albuquerque (ex-MDB).
Em contato com a reportagem da Tribuna Independente, o presidente estadual da legenda, deputado Ronaldo Medeiros, explica que toda a articulação foi voltada para fortalecer a chapa de federal.
“O PT se movimentou nesse período com o grande objetivo de viabilizar a chapa de deputado federal, buscando fazer parcerias, e isso foi até o último dia da janela. Nós tínhamos um deputado, hoje temos três deputados na Assembleia Legislativa. Tem eu, o Marcos [Barbosa] e o deputado Breno [Albuquerque], todos tem o compromisso de ajudar, participar decisivamente na montagem dessa chapa de federal e também do apoio a esse projeto político que o PT tem, não só em Alagoas, mas no Brasil de ter o maior número de deputados federais, estaduais e senadores, é importante. Onde nós não pudermos eleger senadores vamos fazer parceiras e apoiar nomes, importante que o próximo governo Lula tenha esse apoio no Congresso que hoje falta”, justificou o parlamentar.
INSATISFAÇÃO
A vereadora Teca Nelma (PT), pré-candidata a deputada estadual, deixou clara sua insatisfação. Nas redes sociais, ela se posicionou e considerou as novas filiações oportunistas.
“O Partido dos Trabalhadores tem lado, tem história e, acima de tudo, tem valores inegociáveis. Nossa trajetória é marcada pela defesa do povo, da democracia e da justiça social. Por isso, sou firme: não podemos aceitar que figuras com histórico oposto aos nossos princípios, com um legado político danoso para o nosso estado e com condutas nada republicanas tentem usar o partido como abrigo de conveniência. O PT não é refúgio para o oportunismo! Nós temos duas missões para ajudar a salvar o Brasil: reeleger o presidente Lula e eleger deputados comprometidos com a agenda popular. As recentes filiações do PT Alagoas não atendem nem a um critério nem a outro”.
Sem citar diretamente os nomes, Teca Nelma afirmou que o partido erra em não apresentar alternativas para o povo votar, mas se colocou favorável à livre filiação. “Não adianta dizermos aos eleitores para eleger melhores deputados se não apresentamos tais alternativas. Defendo a livre filiação de quem chega para construir o projeto coletivo e fortalecer o Governo Lula com ética”.
A vereadora vem sendo cotada dentro do partido como uma forte candidata a ocupar uma das vagas da Federação Brasil da Esperança na Assembleia Legislativa. O plano, antes das novas filiações, era sair de duas e chegar a três cadeiras na casa. Com a mudança, o plano sobe para quatro, mas deixa menos margem para novos nomes além dos que já tem mandato chegarem à bancada.
O presidente do partido, no entanto, garante que a entrada dos novos nomes foi amplamente discutida nas instâncias internas. “Foi um processo bem transparente essa vinda dos deputados para cá foi debatida no Grupo de Trabalho Eleitoral, que nós chamamos GTE, foi debatido na executiva exaustivamente, todos sabiam que isso era uma meta do partido que era fortalecer a chapa de federal, o sistema de federal. Hoje nosso grupo com certeza vai fazer quatro deputados estaduais aqui em Alagoas, e nós queremos manter o Paulão [PT] como deputado federal, e para isso a gente vai trabalhar, e trabalhar muito. Já estamos trabalhando, inclusive”.
Sobre os princípios e valores petistas, Ronaldo Medeiros diz que há convergências, e que os novos filiados se vão absorver a essência do partido. “São lulistas, tem o compromisso com o campo progressista, e nós temos agora essa tarefa não só de fazer formação política com quem está entrando, mas também com quem está fora do partido e não entrou ainda. Temos que ampliar essas alianças, ampliar e fazer formação”.
O deputado defende que os mais orgânicos compartilhem suas vivências e aprendizados com os novos. “Não tenho nenhum problema em colocar quem não teve a escola que eu tive, eu tive oportunidade de fundar a CUT aqui em Alagoas, fundar o Sindprev, do movimento estudantil, mas muitos não tiveram a trajetória que eu tive”. E garante que na negociação os novatos prometeram buscar isso. “Esse é o grande compromisso, nós dialogamos muito nesse sentido, de que nós temos uma caminhada, e a gente não vai admitir nunca que haja um retrocesso com isso”.
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