Polícia

Policial civil suspeito de matar colegas após confraternização diz não lembrar do crime

Suspeito teria consumido bebida alcoólica; familiares de vítimas falam em execução

Por Tribuna Hoje 20/05/2026 12h11 - Atualizado em 20/05/2026 14h51
Policial civil suspeito de matar colegas após confraternização diz não lembrar do crime
Tiros dentro de viatura contra policiais civis choca Alagoas - Foto: Reprodução

Dois policiais civis foram mortos a tiros após uma confraternização entre colegas no sertão de Alagoas. O principal suspeito do crime é o policial civil Gildate Goes Moraes Sobrinho, de 61 anos, que trabalhava com as vítimas na 1ª Delegacia Regional de Delmiro Gouveia. Em depoimento inicial, o suspeito afirmou que não se recorda do momento em que os disparos aconteceram. 

O suspeito ocupava o banco traseiro da viatura policial quando teria entrado em surto e efetuado disparos contra os dois colegas, que estavam nos bancos da frente. 

Testemunhas relataram que após a chegada de equipes das polícias Civil e Militar, o suspeito apresentou falas desconexas, “sem falar coisa com coisa” durante a abordagem.

As vítimas foram identificadas como Yago Gomes Pereira, de 33 anos, natural de Sergipe, e Denivaldo Jardel Lira Moraes, de 47 anos, natural de Pernambuco. Os dois atuavam na unidade regional da Polícia Civil no Sertão alagoano.

Segundo informações iniciais, os policiais participaram de uma ocorrência relacionada ao pagamento de pensão alimentícia. Após a resolução do caso, o suspeito teria convidado os colegas para comemorar a aprovação do sobrinho dele no curso de Medicina.

Durante o encontro, o policial apontado como autor dos disparos consumiu bebida alcoólica e, posteriormente, efetuou tiros contra os dois colegas na viatura. Câmeras de videomonitoramento registraram o suspeito cambaleando pelas ruas da cidade de Delmiro e ido dormir na casa de uma mulher, onde foi preso em seguida. 

As investigações apontam que Yago e Denivaldo foram atingidos por disparos na região da cabeça e do pescoço.

Após o crime, os corpos das vítimas foram encaminhados ao Instituto Médico Legal (IML) de Arapiraca para exames periciais.

No  IML, o delegado Luciano, tio de Yago e integrante da Polícia Civil de Aracaju, afirmou durante o reconhecimento do corpo que o sobrinho foi atingido com um tiro na têmpora, disparo conhecido como "tiro de misericórdia". "Meu sobrinho foi executado, sem chance de defesa". 

Após o crime, os corpos das vítimas foram encaminhados ao IML para exames periciais.

O caso é investigado pela Polícia Civil, que deve apurar a dinâmica do crime e a motivação das mortes.


Familiares cobram justiça

O clima no IML foi de comoção e revolta entre familiares e amigos das vítimas.

O pai de Yago relatou indignação ao comentar o caso. Segundo ele, recebeu a notícia por telefone durante a madrugada e, inicialmente, acreditou que o filho tivesse morrido em confronto.

“Recebi essa ligação pavorosa de madrugada. Achei que fosse uma ocorrência, um confronto, mas não consegui entender quando disseram que foi outro policial. Meu filho levou um tiro do lado direito, à queima-roupa. Isso foi uma execução”, afirmou.

Ele também questionou a versão de que o suspeito estaria em surto.

“Se estava em surto, por que não atirou na própria cabeça? Ele destruiu duas famílias. Era um policial antigo, veterano. Eu só peço justiça das autoridades”, declarou.

Durante o reconhecimento do corpo, familiares também relataram que o suspeito já teria se envolvido em outros episódios violentos, como matado outro policial, um preso dentro da viatura e recentemente atirado em um cachorro. As declarações deverão ser analisadas ao longo da investigação.