Polícia
Polícia Civil investiga denúncia de racismo em sala de aula
A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) instaurou um inquérito para apurar um caso de injúria racial ocorrido em uma sala de aula de uma escola particular na parte alta da capital.
O ato foi praticado por um aluno de 13 anos de idade e endossado pelo professor contra outro aluno da mesma idade. O aluno vítima de injúria racial foi comparado a um gorila. A gravura do gorila estava no caderno do aluno que cometeu a injúria racial.
Ele chamou o professor e perguntou com quem o animal se parecia. De pronto, o professor apontou para um outro estudante negro que estava no local.
Ontem, a vítima foi ouvida pela delegada Rebeca Cordeiro, da Delegacia Especializada dos Crimes contra Vulneráveis, e relatou os fatos, que segundo a autoridade policial, ficam nítidos nas imagens. Outros estudantes que presenciaram o momento também serão chamados a depor.
O advogado da vítima, Alberto Jorge, explicou que o aluno ficou tão perplexo que ficou sem ação diante da injúria. “As imagens são claras. Embora, não tenha áudio, não restam dúvidas da postura do professor. Tanto o menor quanto a família estão profundamente abalados”.
O menor que mostrou a imagem do gorila também será responsabilizado, conforme a legislação específica para menores de idade.
O professor foi afastado das funções na escola e pode responder pelo crime de injúria racial e discriminação.
“O aluno que foi vítima disse que só voltou para a sala de aula porque soube que o professor havia sido afastado. Ele disse que já tinha visto isso acontecer na televisão, mas nunca imaginou que aconteceria com ele”, afirmou a delegada.
O professor e o aluno que praticaram racismo ainda serão ouvidos. Assim como os demais alunos presentes atuarão como testemunhas. Segundo relato da vítima à polícia, o professor teria dito: “Parece com esse aqui”, apontando para a vítima da injúria racial.
A situação foi filmada por uma câmera de monitoramento instalada na sala de aula. Nas imagens, é possível ver toda a movimentação. Desde o momento em que dois estudantes conversam, até o momento em que o professor é chamado para comparar o animal estampado na capa do caderno com um aluno.
Conforme a delegada, as imagens mostram que, após o gesto, os alunos riem, enquanto a vítima permanece imóvel.
A polícia deve ouvir outros alunos que estavam na sala antes de intimar o professor para prestar depoimento. O prazo inicial para conclusão do inquérito é de até 30 dias.
A família do adolescente formalizou representação criminal contra o professor e informou que também buscará responsabilização do aluno que levou o caderno e fez a pergunta ao docente. Como se trata de menor de idade, eventual procedimento será acompanhado por delegacia especializada.
Após ser vítima de racismo, o estudante negro não respondeu nada, mas contou à família, que procurou a polícia e registrou um Boletim de Ocorrência. O caso agora está sendo investigado.
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