Polícia
Operação desarticula agiotagem de alto padrão na Ponta Verde e bloqueia quase R$ 900 mil em bens
Investigação também rastreou movimentações financeiras que apontam para um esquema de lavagem de dinheiro
A Polícia Civil de Alagoas abriu mais um capítulo no enfrentamento aos crimes financeiros ao cumprir, nesta quinta-feira (27), uma série de mandados contra um esquema de agiotagem que, segundo as investigações, vinha funcionando de forma silenciosa desde o fim de 2023. O alvo principal, preso em um apartamento de alto padrão na Ponta Verde, é apontado como responsável por transformar uma dívida inicial de R$ 20 mil em um rombo superior a R$ 45 mil por meio de cobranças abusivas e sucessivas manobras de intimidação.
A ofensiva, batizada de Operação Juros de Sangue, revelou um método já conhecido pelos investigadores: o uso de empréstimos informais como porta de entrada para a cobrança de juros extorsivos, sempre acompanhados de pressão psicológica, ameaças diretas e a tentativa de simular influência política e policial para constranger a vítima. Relatos colhidos pela equipe da 5ª Delegacia Regional mostram que o suspeito exigia valores incompatíveis com o combinado e tratava o suposto débito como justificativa para novas investidas, chegando a invadir a residência da vítima e causar danos materiais.
A investigação também rastreou movimentações financeiras que apontam para um esquema de lavagem de dinheiro. Conforme os delegados à frente do caso, o acusado movimentava recursos por meio de contas em nome de familiares e pessoas de confiança. Bens, especialmente veículos, eram transferidos para terceiros a fim de dificultar o rastreamento de patrimônio. O padrão de vida ostentado — marcado por carros caros, gastos em espécie e ausência de renda formal compatível — reforçou a suspeita de blindagem patrimonial.
Ao todo, a Justiça autorizou dez mandados, entre um de prisão preventiva, seis de busca e apreensão em endereços ligados ao grupo e três voltados exclusivamente à apreensão de veículos de luxo. O saldo da operação impressiona: cerca de R$ 560 mil em automóveis e mais de R$ 331 mil em dinheiro foram recolhidos, totalizando quase R$ 890 mil em bens bloqueados. O valor será utilizado tanto para congelamento patrimonial quanto para eventual reparação à vítima.
A ação mobilizou diversas unidades da Polícia Civil, como a Diretoria de Inteligência, o Grupo Especial Antissequestro (GEAI), a Divisão Especial de Investigação e Capturas (DEIC), o DRACCO, a Oplit e o SAER. A coordenação destacou que o caso serve de alerta para um tipo de crime que se infiltra em diferentes camadas sociais e se sustenta no medo e no silêncio das vítimas.
A investigação continua, especialmente para mapear outros possíveis lesados e identificar a participação de pessoas próximas ao suspeito no processo de ocultação de bens. A polícia também apura se o esquema tinha ramificações em outros bairros de Maceió ou no interior.
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