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‘Mais efetivo que uma bomba atômica’: especialista alerta para poder estratégico do Estreito de Ormuz

Por R7 13/07/2026 14h29
‘Mais efetivo que uma bomba atômica’: especialista alerta para poder estratégico do Estreito de Ormuz
Estreito de Ormuz - Foto: Benoit Tessier / Reuters /Arquivo

O fechamento do Estreito de Ormuz voltou ao centro das atenções após os novos ataques entre Estados Unidos e Irã, elevando a tensão no Oriente Médio e reacendendo preocupações sobre os impactos para a economia global. Apesar das versões divergentes apresentadas por Teerã e Washington sobre a situação na região, os efeitos econômicos de uma eventual interrupção do tráfego marítimo são significativos.

Para Marcus Vinícius de Freitas, professor de Relações Internacionais, o estreito representa um dos principais instrumentos estratégicos do Irã. “O Estreito de Ormuz é para os iranianos muito mais efetivo do que uma bomba atômica, porque, com o Estreito de Ormuz, eles conseguem ali um impacto enorme sobre a economia global.”

A região é considerada uma das mais importantes rotas do comércio internacional, concentrando o transporte de petróleo, fertilizantes e outros insumos essenciais. Segundo o especialista, os impactos de um bloqueio vão além do mercado, alcançando inclusive a estrutura de defesa dos Estados Unidos na região e os investimentos realizados pelos países do Oriente Médio.

Além das preocupações econômicas, o debate sobre uma possível intervenção militar norte-americana voltou à pauta. Embora a hipótese já tenha sido mencionada pelo presidente Donald Trump, Marcus Vinícius de Freitas avalia que uma operação para assumir o controle do estreito exigiria uma ação terrestre complexa e de alto custo político para o país. “Mesmo essas intervenções norte-americanas, quando elas acontecem por um período de tempo, como a gente viu no Afeganistão, elas não têm aí o resultado efetivo que esperariam ter.”

Além dos riscos para os Estados Unidos, uma tentativa de controle direto sobre o Estreito de Ormuz encontraria resistência internacional. Segundo o professor, países como China, Rússia e outras nações asiáticas possuem interesses estratégicos no fluxo comercial da região e dificilmente aceitariam uma gestão norte-americana do corredor marítimo. Ao mesmo tempo, qualquer novo envolvimento militar no Oriente Médio poderia contrariar a estratégia dos Estados Unidos de concentrar esforços na contenção da influência chinesa.

Diante desse cenário, a crise em torno do Estreito de Ormuz segue sendo acompanhada com atenção pelos mercados e pelas principais potências globais. Enquanto as tensões persistem, as próximas decisões vão depender dos fatores militares, mas também dos desdobramentos diplomáticos e econômicos que envolvem diferentes atores internacionais.