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Tribunal alemão determina que ex-contador de Auschwitz pode ser preso
Ele foi condenado em 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade na morte de 300 mil judeus
Oskar Gröning, que foi membro da SS e contador de Auschwitz, de 96 anos, poderá ser detido para cumprir a pena de quatro anos de prisão, apesar de sua idade, decidiu nesta quarta-feira um tribunal alemão.
"Com base na opinião dos especialista, o tribunal considera que o condenado é apto para cumprir sua pena, apesar de sua idade avançada", afirma um comunicado do tribunal de Celle, dois anos depois da condenação de Gröning.
Ele foi condenado em 2015 a quatro anos de prisão por cumplicidade na morte de 300 mil judeus. Ele admitiu em seu julgamento, realizado no Tribunal de Lübeburg (norte do país), sua "cumplicidade moral" nas mortes de Auschwitz, onde realizou trabalhos como a apreensão e administração do dinheiro e dos pertences dos que chegavam como deportados.
O processo contra Gröning foi expoente dos julgamentos tardios por crimes do nazismo, abertos após o precedente marcado pelo caso do ucraniano John Demjanjuk, condenado em 2011 a cinco anos de prisão por cumplicidade nas mortes do campo de extermínio de Sobibor, na Polônia ocupada.
Gröning entrou nas WAFFEN-SS, em 1941, aos 20 anos e, dois anos depois, começou a servir em Auschwitz, onde assumiu a incumbência de confiscar os pertences dos deportados, contribuindo para financiar o III Reich, já que se encarregava, além disso, de fazer as correspondentes transferências a Berlim.
A acusação se centrou em seu papel na chamada "Operação Hungria", de meados de 1944, quando chegaram a Auschwitz cerca de 450 mil judeus, dos quais cerca de 300 mil morreram assassinados.
Ao contrário de outras decisões de julgamentos tardios, como o de Demjanjuk, que se manteve em silêncio durante todo o julgamento, Gröning ofereceu amplas declarações sobre o dia a dia de Auschwitz e seu papel na burocratizada maquinaria de extermínio.
Gröning, que após a queda do nazismo passou por um campo de internação britânico e depois voltou à vida civil como contador em uma fábrica de vidro.
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