Mundo
Doleiros suspeitos de envolvimento com esquema de Cabral são presos
Vinícius Claret, o Juca Bala, foi citado pelos irmãos Chebar em delação premiada
Foram presos nesta sexta-feira (3), no Uruguai, dois suspeitos de envolvimento em operações de lavagem de dinheiro do esquema chefiado pelo ex-governador do Rio Sérgio Cabral, segundo o Ministério Público Federal (MPF). Vinícius Claret, o “Juca Bala”, e Cláudio Fernando Barbosa, sócio dele, foram detidos após pedido da força-tarefa da Operação Calicute, desdobramento da Lava Jato, como informou a GloboNews.
Juca Bala foi citado na Operação Calicute pelos irmãos e doleiros Renato e Marcelo Chebar, que fizeram delação premiada e disseram ter ocultado cerca de US$ 100 milhões de Cabral no exterior. Segundo a investigação, os dois chamaram Juca quando a operação de lavagem ficou grande demais.
Juca Bala e Cláudio Barbosa estavam na difusão vermelha da Interpol e foram presos em ação conjunta da polícia do Uruguai com a Polícia Federal brasileira.
Em depoimento, Renato Chebar contou que recebia mensalmente de Sérgio Cabral valores entre R$ 50 mil e R$ 250 mil, segundo informação do Jornal Nacional. Com o aumento do volume de dinheiro, as operações no banco de Nova York já não eram suficientes e Chebar precisou comprar dólares no mercado paralelo – e começou a acionar o um doleiro de apelido "Juca".
Desde a delação dos irmãos Chebar, as autoridades do Brasil sabiam apenas que o principal doleiro de Cabral tinha o apelido de Juca Bala, que morava no Uruguai e se chamava Vinícius.
Vida no UruguaiAntes da prisão, os repórteres Carlos de Lannoy e Arthur Guimarães, do Jornal Nacional, foram a Punta Del Este e acompanharam a rotina de Juca Bala. Ele vivia à beira-mar em área nobre do luxuoso balneário uruguaio.
Vinícius aparece como sócio no contrato de criação da empresa Paddle Boards Uruguay, que faz importação, exportação, representação e venda de materiais esportivos e tem uma loja em Punta, um dos balneário mais luxuosos da América Latina.
Um produtor do JN esteve na loja e, se passando por um turista brasileiro perdido, conversou com Vinícius. Ele contou que há seis anos importava pranchas no Uruguai. Nos três dias em que acompanhou o movimento da loja, a reportagem só viu um cliente sair com uma prancha.
Quando saía da loja, Vinícius Claret ia até um prédio azul a cerca de 200 metros onde, provavelmente, ele e a mulher moram, num dos lugares mais privilegiados de Punta, com apartamentos com vista para o mar.
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