Interior

Moradores cobram estudos sobre poluição no ar em Craíbas

Famílias que vivem no entorno da MVV querem contratação de instituição responsável pela avaliação dos níveis de qualidade do ar nas áreas próximas da mina

Por Davi Salsa / Tribuna Independente 30/05/2026 08h24 - Atualizado em 30/05/2026 08h45
Moradores cobram estudos sobre poluição no ar em Craíbas
Mineração Vale Verde, em Craíbas - Foto: Edilson Omena / Arquivo

As famílias que vivem no entorno da Mineração Vale Verde (MVV), na área rural do município de Craíbas, no Agreste alagoano, cobram das autoridades locais e estaduais a contratação de uma instituição responsável pela avaliação dos níveis de qualidade do ar nas áreas próximas da mina.

O representante dos moradores, Tancredo Barbosa, diz que o estado de Alagoas já possui um histórico de desastres ambientais causados por operações que não se preocuparam com aspectos sociais e ambientais.

Ainda de acordo com Tancredo Barbosa, no entorno da Mina Serrote, várias residências apresentam rachaduras e muita poeira no ar, entre outros problemas atribuídos, segundo ele, às detonações para a exploração de cobre, ferro e ouro.

“Quando começaram as explosões, muita coisa tremia. Nós protestamos contra a grande frequência e hoje eles realizam as explosões duas vezes por semana. Mas a região já registrou tremor de terra de 2.0 na escala Richter. Muita gente está adoecendo com problemas respiratórios. É Importante verificar o material particulado (MP) se estão dentro dos limites permitidos”, relata Tancredo.

Ele mora com a família no Povoado Lagoa do Mel, em uma casa a 600 metros da estação de tratamento de resíduos da cidade. Tancredo Barbosa diz que, devido aos problemas respiratórios, parte da comunidade já foi indenizada e realocada, mas outras famílias ainda vivem no entorno, sem perspectiva de mudança.

“Ficamos sabendo que existe um aparelho que aspira o ar por um período longo e coleta as partículas em filtros específicos que detectam alguma impureza ou produto químico no ar”, frisou o morador, revelando que as famílias já protocolaram denúncias junto à mineradora e aguardam respostas sobre monitoramento de explosões, controle de poeira e qualidade da água.

“Estamos sendo obrigados a deixar nossas terras, nossas histórias. Tem morador que adquiriu problema respiratório por conta da poeira da mineração, as casas que racharam e estão comprometidas, então cobramos providências para nossa situação”, acrescentou o morador.

Em reiteradas notas à imprensa, a MVV tem reiterado que os tremores de terra e algum caso de problema respiratório em pessoas no entorno da empresa não estão associados à atividade mineradora, e que a empresa trabalha com os mais rigorosas normas internacionais de segurança.