Interior
Ameaçado de extinção: Peixe Mero é registrado em Coruripe durante mergulho científico
Um exemplar de peixe mero, espécie Epinephelus itajara, considerado criticamente ameaçado de extinção no Brasil, foi registrado nesta terça-feira (17) durante um mergulho científico em Coruripe, no litoral sul de Alagoas. O animal media cerca de 1,20 metro e foi encontrado a aproximadamente 10 metros de profundidade, em um recife com diversos abrigos naturais, habitat típico da espécie.
O registro foi feito pelo pesquisador Márcio Lima Jr., do Projeto Meros do Brasil e do Programa de Pós-Graduação em Diversidade Biológica e Conservação da Universidade Federal de Alagoas. Segundo ele, a equipe já havia mapeado a região com base em relatos de pescadores e mergulhadores profissionais.
“O peixe estava no local quando descemos e demonstrou curiosidade com a nossa presença”, disse Márcio. Diferente do que o tamanho sugere, a espécie é conhecida por se aproximar de mergulhadores, investigar e até seguir quem está na água.
O ciclo de vida do mero depende da saúde dos ecossistemas costeiros. Os juvenis utilizam manguezais como abrigo e áreas de crescimento, enquanto os adultos ocupam recifes. A preservação desses ambientes é essencial para garantir a presença de meros adultos nos recifes.
Recentemente, a equipe registrou um juvenil de cerca de 50 centímetros em recife raso, próximo à costa, reforçando a importância da conectividade entre manguezais e recifes.
Para Cláudio Sampaio, professor da UFAL Penedo e coordenador do Projeto Meros do Brasil, o litoral sul de Alagoas é estratégico para a conservação do mero. “A espécie atinge maturidade sexual tardiamente e forma agregações para reprodução, o que a torna vulnerável à pesca. Além disso, a poluição e a degradação ambiental são grandes ameaças”, explica.
O mero é o maior peixe recifal do Atlântico, podendo ultrapassar 2,5 metros de comprimento e 450 quilos, e tem papel fundamental no equilíbrio ecológico, alimentando-se de lagostas, peixes, tartarugas e até pequenos tubarões.
O Projeto Meros do Brasil atua há quase uma década com pesquisas científicas, registro de capturas acidentais, ciência cidadã e ações de educação ambiental, em parceria com unidades de conservação e outras iniciativas ambientais.
Os pesquisadores recomendam que qualquer avistamento de meros, vivos ou mortos, seja registrado e comunicado à equipe, evitando a pesca, transporte ou consumo da espécie, que é proibido por lei. Cada registro de um mero vivo é considerado um indicador de que os ecossistemas marinhos ainda mantêm sua capacidade de sustentar a espécie.
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