Interior

Vazão do São Francisco segue alta até 15 de fevereiro

Região do Baixo São Francisco continua com 4.000 m³/s, patamar que desde 24 de janeiro elevou margens em 2,5 metros

Por Evellyn Pimentel com Tribuna Independente 02/02/2022 06h49
Vazão do São Francisco segue alta até 15 de fevereiro
Reprodução - Foto: Assessoria
Até o próximo dia 15 de fevereiro a vazão na região do Baixo São Francisco que compreende também Alagoas segue a 4.000 m³/s. Isto significa que o Rio permanece no patamar alcançado em 24 de janeiro com elevação média de 2,5 metros nas margens. De acordo com o coordenador da Expedição Científica do Rio São Francisco, Emerson Soares: “tivemos uma reunião na sala de situação com as instituições e a vazão vai se manter em 4 mil em média até dia 15 de fevereiro, durante o dia pode oscilar para 4.200 e baixar até 3800, mas a faixa é essa. No dia 15 de fevereiro Sobradinho vai estar com 83% da sua capacidade, do seu volume, o que é considerado bom para chegar até abril e essa vazão permanece até 15 de fevereiro onde teremos uma nova reunião para determinar se a vazão permanece ou será reduzida”, pontua o pesquisador. O Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio São Francisco (CBNHSF) emitiu comunicado reforçando a informação. Segundo o Comitê as defluências médias diárias de 4.000 m³/s atingem os reservatórios de Sobradinho e Xingó. “Conforme vimos comunicando, as vazões dos reservatórios de Sobradinho e Xingó foram elevadas gradualmente do patamar de 1.000 m3/s para o patamar de 4.000 m3/s, do período de 12/01 a 24/01. A operação é necessária mediante condição de cheia declarada pelo Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS), em articulação com a Agência Nacional de Águas e Saneamento Básico (ANA), provocada pelas fortes chuvas ocorridas em Minas Gerais”, disse. O comitê também reforçou o alerta para que ribeirinhos não voltem a ocupar áreas de margem como medida de prevenção. “Chamamos a atenção para a não ocupação de áreas ribeirinhas situadas na calha principal do rio, considerando a possibilidade de elevação da vazão a depender da evolução do quadro de chuvas na bacia. Nesse sentido, pedimos o apoio dos Poderes Públicos Municipais para o acompanhamento dessa questão no âmbito de cada município”, explicou. A Prefeitura de Penedo, uma das cidades alagoanas às margens do Rio São Francisco detalhou à Tribuna que a situação segue controlada, tendo em vista que foi feito um trabalho prévio de conscientização da população. Até o momento apenas áreas de comércios foram inundadas. “A situação aqui está sob controle, apenas os comerciantes da nossa prainha tiveram seu local de trabalho inundado, como se previa, fora esse ponto, o nível do rio subiu, mas sem alcançar área com moradores. Diferente de muitas localidades rio acima, aqui quase não há ocupação irregular das margens do rio e temos Defesa Civil atuante, com visitas realizadas logo no início da situação do alerta para cheia e até agora não houve chamado para remoção de pessoas, alertadas pelos meios de comunicação, como por exemplo, criadores de animais que vivem nas ilhas, porque eles tomaram as providências de forma antecipada removendo as criações para lugares mais altos”, explicou o executivo municipal. Aumento tem objetivo de prevenir colapsos ou rompimentos   Desde o início do ano, devido a intensas chuvas na bacia do Rio São Francisco houve a necessidade de liberação de água nos reservatórios das hidrelétricas como forma de prevenir colapsos ou rompimentos. Os efeitos das intensas chuvas na bacia do Rio São Francisco começaram a chegar em Alagoas em meados de janeiro. Com o procedimento de controle de cheia executado pela Companhia Hidrelétrica do São Francisco (Chesf) o aumento da vazão no chamado Baixo São Francisco chegou a 4000 m³/s no dia 24 de janeiro, o maior volume em duas décadas. Mesmo com a mudança brusca, Emerson Soares destaca que de modo geral a situação gera mais impactos positivos do que negativos. Conforme explica o pesquisador, há sete anos o rio vem enfrentando períodos de seca, o que ocasionou entre outros pontos comprometimento da navegabilidade, na reprodução dos animais e aumento da poluição. Apesar do impacto inicial a expectativa é que essa água “nova” faça um processo de “limpeza” e inaugure um novo ciclo de reprodução de peixes nativos. “A última vez que tivemos isso [aumento da vazão] foi no início dos anos 2000. Os impactos positivos são no caso de Alagoas maiores do que os negativos porque vão promover a melhora na qualidade da água, vão aumentar a reprodução e a produção dos peixes devido a cheia, novos organismos sendo disponibilizados para o homem. São fatores muito positivos que vêm sendo trazidos para a população. Apesar do carreamento de sedimentos ele vai ser depositado e essa água nova vai impactar muito, vai ajudar bastante na situação que temos hoje, até na questão da salinidade vai amenizar, ali na região da foz, em Piaçabuçu, o aumento da água doce vai afastar um pouco essa salinidade”, detalha. CONTINUIDADE NÃO DESCARTADA “Depois de 12 anos, as regiões do Submédio e do Baixo São Francisco terão vazões em patamares elevados. O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) decretou o regime de cheia na Bacia do Rio São Francisco e, dessa forma, temos que atuar com regras específicas, aguardando chegar mais água, pois ainda há grande volume de chuvas acontecendo em Minas Gerais. A previsão é de Sobradinho, nosso maior reservatório, alcançar cerca de 75% de armazenamento no fim de janeiro. Como as chuvas ocorrem até abril, na Bacia do São Francisco, há grandes possibilidades de o Reservatório de Sobradinho voltar a atingir armazenamento próximo a 100%”, informou pouco antes do aumento da vazão para 4000 m³/s o diretor de Operação da Chesf, João Henrique Franklin. “Esse aumento deve se estender inicialmente até o fim do mês. É possível que esse aumento seja dilatado, teremos uma reunião com a ANA, Chef, Comitê, porque como tem havido muita chuva, com cidades baianas e mineiras a quase 10 mil m³/s, pode haver a necessidade de liberar mais água por mais tempo, ou a mesma quantidade ou menor, mas é possível”, disse à época.