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Música brasileira cresce no streaming e abre novos caminhos para quem está começando

Por Assessoria 28/09/2026 14h10
Música brasileira cresce no streaming e abre novos caminhos para quem está começando
Relatório da Pró-Música Brasil aponta avanço de 24% nos royalties gerados por artistas nacionais; conheça o Festival Sangue Novo, que atua há oito edições na descoberta e circulação de talentos - Foto: Assessoria

Antes de um artista alcançar milhões de reproduções, existe um caminho feito de palcos, público e oportunidades de circulação. Um levantamento da Pró-Música Brasil, entidade que representa as principais gravadoras e produtoras fonográficas do país, mostra que esse percurso tem se transformado em resultados cada vez mais expressivos: em 2025, artistas brasileiros geraram cerca de R$2 bilhões em royalties no Spotify, valor 24% superior ao registrado no ano anterior. O relatório também aponta que a quantidade de artistas brasileiros que ultrapassaram R$1 milhão em royalties na plataforma mais que dobrou em três anos.

Os números do Relatório Mercado Brasileiro de Música 2025, produzido pela Pró-Música Brasil, ajudam a dimensionar um cenário no qual um número maior de artistas conseguem alcançar públicos e gerar receita a partir de seus trabalhos. Mas, antes de chegar às plataformas, muitos desses nomes passam por espaços de descoberta e formação de público. É nesse circuito que se insere o Festival Sangue Novo, que chega à oitava edição nos dias 17 e 18 de outubro, no Trapiche Barnabé, em Salvador.

Ao longo das sete primeiras edições, mais de 75 artistas passaram pelo festival. A lista reúne nomes como Linn da Quebrada, Jaloo, Hiran, Majur, Jota.pê, Marina Sena, Xênia França, Tássia Reis, FBC, Flora Matos, Tuyo, Bala Desejo, Josyara e Tulipa Ruiz. Muitos desses artistas ampliaram posteriormente sua presença em festivais, shows e plataformas, levando suas produções para além dos circuitos onde começaram a construir suas carreiras.

Além de reunir atrações em um mesmo line-up, a proposta do Festival Sangue Novo está ligada à criação de conexões. O festival nasceu olhando para a produção contemporânea que surge em diferentes territórios e, ao longo dos anos, passou a funcionar também como uma vitrine para artistas que ainda estavam ampliando sua presença no mercado.

De acordo com Fernanda Bezerra, curadora do Festival Sangue Novo, esse processo começa justamente quando artistas encontram espaços capazes de apresentar seus trabalhos a públicos que ainda não os conhecem. “Um festival pode ser uma porta de entrada. Às vezes, aquele é o primeiro contato de uma pessoa com um artista que depois ela vai acompanhar, ouvir nas plataformas, procurar em outros shows. A gente entende que criar essas primeiras conexões também é uma forma de fortalecer a carreira desses artistas e fazer com que eles possam circular cada vez mais”, afirma.

Essa circulação já ultrapassou os limites da Bahia. Em 2024, o Festival Sangue Novo realizou uma edição em Brasília, levando para a capital federal artistas baianas como Larissa Luz, Majur, Rachel Reis e Xênia França. O movimento transformou o festival em uma plataforma capaz de levar produções construídas em Salvador para outros públicos e, ao mesmo tempo, reforçou a conexão da cena baiana com artistas e circuitos de outras regiões.

O processo também pode ser observado na trajetória de projetos apresentados pelo festival. O Aya Bass, formado por Luedji Luna, Xênia França e Larissa Luz, foi apresentado no Sangue Novo e posteriormente ganhou outros palcos. A experiência mostra como o festival pode funcionar como ponto de encontro entre artistas que já possuem trajetórias próprias, mas que encontram naquele espaço uma oportunidade para experimentar novos formatos e alcançar públicos diferentes.

Segundo Fernanda, a força dessa renovação está justamente na possibilidade de criar caminhos que não terminam no palco do festival. “A gente quer que o artista saia do Sangue Novo com mais do que uma apresentação. Queremos que ele encontre novas pessoas, novos públicos e novas possibilidades de circulação. Quando uma cena local consegue atravessar seu território, ela também amplia a própria música brasileira. É esse movimento que nos interessa acompanhar e provocar”, conclui.

Na 8ª edição, que acontece nos dias 17 e 18 de outubro, no Trapiche Barnabé, em Salvador, essa perspectiva continua presente. Com shows de Céu, Rachel Reis, Juliana Linhares, Bia Soull, Getúlio Abelha, Zé Ibarra, Guigga Maraká e Zaynara, a programação deve reunir treze atrações, mantendo a proposta de colocar em evidência nomes que representam diferentes movimentos da música brasileira atual.

O projeto tem patrocínio da Tim e do Estado da Bahia, através do Fazcultura, Secretaria da Cultura e Secretaria da Fazenda. Apoio ProCultura, com realização da Maré Produções Culturais.