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Antártida: filme leva suspense policial para base brasileira no Polo Sul
Com protagonismo compartilhado, o filme reúne Andrea Beltrão, Marina Ruy Barbosa, Leandra Leal e Lázaro Ramos em um mistério envolvente
Antártida, novo filme do diretor Bruno Safadi, estreia nos cinemas nesta quinta-feira (17/9) e leva um mistério policial para um cenário pouco explorado pelo cinema nacional: uma estação da Marinha brasileira no continente gelado.
A história acompanha cientistas e militares enviados à base durante o inverno polar. Logo no primeiro dia da novata Inês (Marina Ruy Barbosa), porém, a personagem sofre um ataque brutal. Com o crime, os sete homens que estão no local passam a ser suspeitos, enquanto a subcomandante Elisabeth (Andrea Beltrão) assume a investigação.
A estrutura lembra os mistérios protagonizados por Hercule Poirot, personagem criado por Agatha Christie e levado aos cinemas recentemente em uma trilogia dirigida e estrelada por Kenneth Branagh. Assim como nas histórias do detetive, Antártida reúne um grupo de suspeitos em um ambiente isolado e transforma o próprio cenário em parte do mistério.
Atuações são ponto forte da trama
Diante do mistério que envolve a trama, Antártida também explora o ambiente inóspito em que a história se passa. O frio extremo da região é incorporado à narrativa, com os personagens enfrentando as baixas temperaturas e buscando recursos para sobreviver às condições adversas. A produção tecnológica do longa contribui para construir esse cenário e reforçar a sensação de isolamento.
É a partir desse cenário de isolamento que a trama desenvolve os conflitos entre os personagens. O ataque sofrido por Inês abre espaço para discussões sobre machismo, masculinidade tóxica e a rede de proteção entre homens, temas que ganham força especialmente nas cenas de confronto. Ao longo da história, porém, o roteiro também tenta abordar questões como racismo e LGBTfobia. Inseridos de maneira pontual e pouco desenvolvida, esses temas acabam dispersando a narrativa e não alcançam a mesma força das discussões centrais do filme.
Com um bom filme de suspense estruturado, talvez o erro de Antártida seja fugir e expandir a trama central do filme. O ataque sofrido por Inês desperta reflexões dos personagens sobre machismo, masculindade tóxica e rede de proteção masculina, que são muito bem trabalhadas nos momentos de conflito. Entretanto, durante o enredo, outras questões como racismo e LGBTfobia são jogadas no texto, fora de contexto e sem a devida profundidade e impacto, enfraquecendo as pautas sociais.
Apesar dessas limitações, as atuações são um dos principais destaques de Antártida. Lázaro Ramos, no papel de Vicente, e as atrizes que interpretam as personagens centrais sustentam a tensão do filme e contribuem para manter o interesse do público até o desfecho.
No conjunto, o longa apresenta uma trama e um roteiro irregulares, mas encontra nas performances do elenco uma de suas principais forças. As atuações ajudam a dar peso aos conflitos e mostram como o trabalho dos atores pode potencializar uma produção de grande escala, mesmo quando o roteiro não consegue desenvolver todas as questões que propõe.
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