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Dark Horse: por que Jim Caviezel foi 'cancelado' em Hollywood?
O ator Jim Caviezel ficou conhecido mundialmente ao protagonizar A Paixão de Cristo (2004) e construiu uma carreira marcada por polêmicas
O ator Jim Caviezel foi escolhido para interpretar o ex-presidente Jair Bolsonaro no filme Dark Horse, com estreia prevista para setembro. Conhecido mundialmente por protagonizar A Paixão de Cristo (2004), ele construiu uma carreira marcada por declarações controversas e associação a teorias da conspiração.
Aos 34 anos, Caviezel começava a chamar a atenção de Hollywood ao estrelar O Conde de Monte Cristo (2002), no qual interpretou Edmond Dantès. Apenas dois anos depois, viveria o papel mais marcante da carreira ao dar vida a Jesus em A Paixão de Cristo (2004).
Convidado por Mel Gibson para protagonizar o longa, Caviezel teria sido alertado pelo diretor antes de aceitar o papel. “Você nunca mais trabalhará nessa cidade”, teria dito o cineasta em conversa relatada pelo jornal The Guardian. A suposta previsão ganhou força nos anos seguintes.
Embora A Paixão de Cristo tenha arrecadado cerca de US$ 610 milhões em bilheteria, segundo o Box Office Mojo, o filme foi cercado de controvérsias. Durante as gravações, o próprio ator afirmou ter deslocado o ombro, ter sido atingido por um raio e chicoteado acidentalmente nas costas. Além disso, o longa enfrentou acusações de antissemitismo por parte de críticos e representantes de comunidades judaicas.
“O filme antissemita mais virulentamente feito desde os filmes alemães de propaganda da Segunda Guerra Mundial”, avaliou o New York Daily News à época.
Após o sucesso, Caviezel perdeu espaço e passou a atuar em produções menores até retornar ao centro das atenções em 2023, com Som da Liberdade, outro filme envolto em controvérsias.
A polêmica de Som da Liberdade
No longa, ele interpreta Timothy Ballard, ex-agente do governo dos Estados Unidos que abandona a carreira pública para atuar no combate ao tráfico infantil. O filme se tornou um sucesso de bilheteria e recebeu apoio de nomes como Elon Musk e Donald Trump.
Ao mesmo tempo, a produção foi associada ao QAnon, teoria da conspiração de extrema direita que afirma que a elite mundial faz parte de um esquema pedófilo e satânico que se alimenta do sangue de crianças para se manter jovem.
Caviezel passou a reproduzir discursos ligados a essa teoria, incluindo a falsa alegação do chamado “adrenochroming”, termo usado para sustentar a narrativa de que traficantes torturam crianças e drenam a adrenalina do sangue para obter um elixir da juventude.
Em um evento ligado ao QAnon em Oklahoma, em 2021, Caviezel afirmou: “Todo tipo de lugar, o adrenochroming de crianças … Se uma criança sabe que vai morrer, seu corpo vai secretar essa adrenalina. Essas pessoas que fazem isso não terão misericórdia”.
Alejandro Monteverde, diretor de Som da Liberdade, chegou a declarar publicamente que se arrependeu de escalar Caviezel para o papel. Além disso, o ator é um apoiador público de Donald Trump e do movimento MAGA, ligado a pautas conservadoras e anti-imigração nos Estados Unidos
Agora, Caviezel retorna às telas em outra produção cercada de polêmicas. Dark Horse, que retrata a campanha presidencial de Bolsonaro em 2018, foi alvo de denúncias de que o banqueiro Daniel Vorcaro teria desembolsado R$ 61 milhões para o projeto, valor que faria parte de um acordo total de R$ 134 milhões.
Paralelamente, a polícia investiga um contrato de R$ 108 milhões de Wi-Fi da Prefeitura de São Paulo com uma ONG ligada ao longa. Parlamentares também destinaram R$ 8 milhões em emendas a empresas e entidades associadas à produtora do projeto.
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