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Aos 88 anos, militante alagoana tem trajetória retratada em livro com lançamento nesta sexta

Por Enio Lins - especial para D&A Tribuna Independente 10/04/2026 11h38
Aos 88 anos, militante alagoana tem trajetória retratada em livro com lançamento nesta sexta
Obra reúne memórias de Maria Alba Correia da Silva e destaca décadas de atuação social - Foto: Divulgação

Em 13 de maio deste ano, Maria Alba Correia da Silva completará 88 anos de vida e 66 anos de militância por uma sociedade mais justa, mais humana, sem discriminações, e por uma melhor distribuição das riquezas materiais, espirituais e culturais. Suas memórias foram coletadas pela jornalista e escritora Cíntia Ribeiro e estão apresentadas no livro “Alba, a Beata Comunista”, com lançamento anunciado para sexta-feira, 10.

Cíntia Ribeiro organizou o livro em três segmentos: A primeira seção é uma análise feita pela jornalista, na condição de biógrafa e ativista feminista, sobre a trajetória de Alba, sobre a significação de seu papel na sociedade alagoana, numa narração sob a ótica dos conceitos contemporâneos nas questões de gênero, etnia, e posicionamento político-ideológico. Na segunda seção, está editado o relato da própria Alba sobre sua caminhada, suas lembranças pessoais e seu testemunho sobre as lutas das quais participou. A terceira seção é composta pelos depoimentos de pessoas que com ela militaram.

Luzes do Vaticano

Seguindo a corrente progressista católica inspirada pelo Concilio Vaticano II (1962–1965), a jovem Alba mergulhou nas reflexões sobre a missão social da Igreja no Brasil e no mundo. Os debates no Vaticano, mesmo antes do encerramento do Concílio, apontavam para uma fé voltada à justiça social, com um novo olhar para a dignidade humana e a paz entre os povos. Como educadora, adotou esses princípios como prática cotidiana, marcas de sua pedagogia, de seu jeito de se posicionar em sintonia com o que propunha o método da própria Ação Católica – “ver, julgar e agir”.

Essa linha engajada, novidade na igreja, tornou-se gesto de coragem e contestação a partir do golpe de 1º de abril de 1964, quando uma parcela expressiva dos católicos conservadores foi para as ruas apoiar a derrubada da democracia, chamando a atenção com seus desfilies raivosos da “Marcha da Família com Deus pela Liberdade”. No sentido contrário, a juventude conscientizada pelas teses de um cristianismo solidário e libertador não só foi às ruas contra o golpe, mas se espalhou pelas fábricas, pelos campos, pelas periferias para levar a mensagem de resistência e de transformação social. Nessa corrente cidadã estava a Alba, desde o começo.

A opção pela militância

Até como forma de sobrevivência sob um regime ditatorial, segmentos católicos mais engajados socialmente começaram a migrar para organizações clandestinas. A evolução dos movimentos do tipo Juventude Estudantil Católica (JEC) e Juventude Universitária Católica (JUC) conduziu rapidamente à formação da Ação Popular, a AP, cuja base teórica era uma fusão entre as concepções da Teologia da Libertação e o Marxismo. Rapidamente a AP acentuou a curva para a esquerda e tornou-se a Ação Popular Marxista-Leninista (APML), e não demorou muito, depois de intensos debates internos sobre como seguir adiante, a maior parte da APML decidiu entrar no PCdoB (Partido Comunista do Brasil). E Alba Correia presente em todos esses momentos históricos, como militante destacada em cada uma dessas flexões.

Discreta, austera, tranquila, sem arroubos, Alba Correia driblou a repressão entre 1964 e 1985, do começo ao fim da ditadura militar. Nunca interrompeu sua militância. Esteve na liderança da retomada da ação sindical combativa dos professores, sendo eleita presidenta da Apal (Associação dos Professores de Alagoas), fundadora e presidente do Sindicato dos Trabalhadores e Trabalhadoras da Educação em Alagoas (Sinteal) e diretora da Associação dos Docentes da Ufal (Adufal). Destacou-se na luta pela Anistia como uma das fundadoras e diretora da Sociedade Alagoana dos Direitos Humanos. Foi uma das fundadoras e diretora da União das Mulheres de Maceió (UMMA).

Serviço

O que: Lançamento do livro “Alba, a beata comunista”
Quando: Hoje, às 19h30
Onde: Associação Comercial de Maceió, Jaraguá
Participação musical de José Luiz Pompe e do Coral Sinteal
Entrada franca