Educação

CEO alagoana faz críticas ao mercado educacional: “discursos modernos e vazios”

Vanessa Tenório aponta que há mais aparência enquanto falta acompanhamento de professores

Por Assessoria 22/04/2026 12h40
CEO alagoana faz críticas ao mercado educacional: “discursos modernos e vazios”
Vanessa é CEO do Systemic Bilingual - Foto: Assessoria

Quase oito em cada dez professores já pensaram em deixar a carreira. O dado mais recente da Pesquisa Perfil e Desafios dos Professores da Educação Básica no Brasil, do Instituto Semesp, não é novidade, mas volta a servir de ponto de partida para o alerta da CEO do primeiro programa de ensino bilíngue do país, Vanessa Tenório, sobre a sustentabilidade do ensino. Para ela, a aprendizagem “acontece dentro da sala de aula”, na interação entre professor e aluno, justamente onde atualmente “está o maior vazio do sistema educacional”.

Mestre em Educação, Vanessa destaca que, em 2024, o levantamento nacional já indicava que 79,4% dos docentes pensavam em abandonar a carreira, enquanto projeções apontam um possível déficit de até 235 mil profissionais até 2040. Na avaliação da especialista, o problema não está na falta de esforço, mas na estrutura: os professores “foram pouco preparados para a complexidade da sala de aula real” e seguem sem acompanhamento consistente ao longo da trajetória profissional.

Diante desse cenário, ela observa uma contradição incômoda: enquanto o mercado educacional investe em “materiais impecáveis” e “discursos modernos”, o impacto prático permanece limitado. “Quando entramos na sala de aula, pouca coisa muda de fato”, afirma.

Vanessa é CEO do Systemic Bilingual, primeiro programa de educação bilíngue do Brasil, criado e desenvolvido há 25 anos em Alagoas. Com base na experiência e nos resultados do método, aplicado em mais de 150 escolas públicas e privadas pelo país, a educadora faz críticas ao próprio setor, que vive um momento de expansão: “Muitas vezes, o que se chama de ‘bilíngue’ é apenas mais tempo de inglês”. 

Para a especialista em Neurociência, esse modelo falha em um ponto central: a apropriação da língua. “Sem uso com propósito, o aluno não pensa por meio dela. E, sem isso, não há fluência”, explica.

Ela defende uma inversão conceitual, em que a língua seja meio, e não fim. “O professor não é apenas transmissor de conteúdo, mas mediador ativo do processo. Não acreditamos em formação superficial, genérica”, enfatiza. Segundo ela, o foco está no acompanhamento contínuo e na observação da prática docente.

A docente assegura que os resultados vão além do aprendizado do inglês, alcançando outras dimensões do desenvolvimento dos alunos, como autonomia, confiança e desempenho em disciplinas como matemática e português. “Quando a aprendizagem é significativa, ela transborda. É preciso parar de discutir apenas o que é ensinado e começar a olhar para como se aprende”, acrescenta.