Educação
Representatividade e conquista: Cesmac tem primeira aluna quilombola qualificada no Mestrado em Direito
A trajetória de Cassiele dos Santos Silva acaba de marcar um momento histórico no Programa de Pós-Graduação em Direito do Centro Universitário Cesmac. Egressa do curso de Direito do Cesmac Sertão, ela se tornou a primeira aluna quilombola a ser qualificada para apresentar sua dissertação no Mestrado em Direito da instituição, reforçando a importância da representatividade na produção do conhecimento jurídico.
Mulher negra, educadora quilombola e nascida em uma comunidade remanescente de quilombo em Poço das Trincheiras, no interior de Alagoas, Cassiele leva para a pesquisa não apenas um tema acadêmico, mas também a história, a memória e a resistência de seu território.
Sua dissertação, intitulada “Implantação da Educação Escolar Quilombola: da constitucionalização à efetivação dos direitos das comunidades quilombolas de Poço das Trincheiras”, investiga como os direitos educacionais dessas comunidades são reconhecidos no ordenamento jurídico brasileiro e como se concretizam na realidade local.
A qualificação ocorreu no dia 6 de março, no auditório Íris II, e foi aprovada com distinção pela banca examinadora, composta pelos professores França Filho, prof doutor Lean Araújo e prof doutor Douglas Apratto, sob orientação do professor doutor Jorge Vieira.
Segundo o orientador, a pesquisa se destaca por analisar tanto os avanços legais quanto os desafios práticos para a implantação da educação escolar quilombola no município.
“O trabalho de Cassiele apresenta uma análise consistente sobre a normalização e as dificuldades de implantação da educação escolar quilombola em Poço das Trincheiras. A aprovação com distinção demonstra o reconhecimento da banca quanto à qualidade e à relevância da pesquisa, além de marcar um momento histórico para o mestrado”, destacou o professor Jorge Vieira.
Além da trajetória acadêmica, Cassiele também exerce a função de presidente do Conselho Municipal da Igualdade Racial de Poço das Trincheiras, o primeiro instituído em Alagoas, e atua como professora da rede municipal de ensino.
Para ela, a conquista representa mais do que um avanço pessoal. “Quando essa conquista chega ao território quilombola, ela se transforma em esperança para nossas crianças e jovens, mostrando que a universidade também é lugar das comunidades afro e indígenas”, afirma.
A expectativa é que a defesa da dissertação seja realizada na própria comunidade quilombola, reforçando o vínculo entre a universidade, o território e a produção de conhecimento comprometida com a transformação social.
Mais lidas
-
1A fila não anda, corre!
Quem é Tiago Maia, empresário apontado como novo affair da cantora Ivete Sangalo
-
2investimento de R$ 10,7 milhões
Vídeo: ministro Renan Filho participa de entrega de equipamentos para 17 prefeituras
-
3Indenização
Vitória de porteiro no STJ cria precedente contra a Braskem
-
4Descompatibilização
Secretários já vislumbram saídas para as eleições
-
5Julgamento
Mandante de homicídio em Viçosa é condenado a 24 anos e seis meses de prisão



