Educação

Estudante PCD denuncia reitor por falas capacitistas em universidade particular de Maceió

Rodrigo Ribeiro relatou nas redes sociais dificuldades de acessibilidade e afirma ter recebido respostas consideradas desrespeitosas durante reunião

Por Lucas França com Tribuna Hoje 04/03/2026 14h40 - Atualizado em 04/03/2026 15h07
Estudante PCD denuncia reitor por falas capacitistas em universidade particular de Maceió
Ricardo Ribeiro, estudante PCD da Afya Maceió - Foto: Reprodução

Um estudante do curso de Medicina da Afya/Unima, em Maceió, denunciou o reitor da instituição por falas que classificou como capacitistas durante uma reunião para tratar de questões relacionadas à acessibilidade no campus.

Rodrigo Ribeiro, que é pessoa com deficiência (PCD), usou seu perfil nas redes sociais nesta terça-feira (3) para relatar o caso e expor dificuldades estruturais enfrentadas no dia a dia acadêmico.

De acordo com o aluno, entre as principais reivindicações apresentadas à gestão estão o nivelamento do piso da entrada da faculdade, que estaria desnivelado e com buracos, e o funcionamento do elevador do bloco A, que, segundo ele, frequentemente apresenta problemas.

Rodrigo afirmou que, ao questionar as condições da infraestrutura, ouviu do reitor que os alunos deveriam conhecer a realidade da instituição antes de efetuar a matrícula. O estudante também relatou que o gestor teria mencionado que a universidade já gastava o equivalente a mais de uma mensalidade para disponibilizar uma pessoa para acompanhá-lo em sala de aula.

Nas publicações, o aluno destacou que não possui desconto na mensalidade e defendeu que o acesso pleno aos ambientes da faculdade deve ser garantido de forma autônoma, sem depender de auxílio constante. Ele ainda apontou que obstáculos considerados simples para pessoas sem deficiência se tornam barreiras significativas para cadeirantes.

A repercussão do relato gerou manifestações de apoio de outros estudantes e a divulgação de uma nota de repúdio nas redes sociais, cobrando mais acessibilidade, inclusão e coerência com os princípios de humanização defendidos na formação médica.

Na postagem, que foi compartilhada por outros alunos, advogados comentaram que  a a inacessibilidade em faculdades e a negação de direitos a alunos com algum tipo de deficiência é considerado crime no Brasil, além de configurar ilícito cível e administrativo, conforme lei Brasileira de Inclusão (LBI - Lei número 13.146/2015). 

O deputado estadual delegado Leonam  também citou lei afirmando que ela garante acessibilidade. "A resposta dada pelo reitor fere a lei, fere a moral, e naturalmente  gera revolta não só por quem foi diretamente prejudicado por ela, mas por todos nós, que esperávamos um mínimo de selo por parte de uma instituição que ocupa o nosso Estado. Estou a disposição para ingressar com as medidas cabíveis''. 


A reportagem entrou em contato com a instituição e em nota, a assessoria informou que Afya Centro Universitário de Maceió atua em conformidade com a legislação vigente e com seus protocolos institucionais de acessibilidade e inclusão.

Segundo a instituição, desde o ingresso do estudante é realizado acompanhamento individualizado, com avaliação contínua das necessidades apresentadas, a fim de assegurar sua plena participação nas atividades acadêmicas.

A universidade afirmou ainda que, nesse período, foram feitos ajustes na distribuição de atividades acadêmicas para facilitar o deslocamento do aluno, manutenção preventiva dos equipamentos utilizados na rotina, além de suporte contínuo por parte das equipes pedagógicas e administrativas.

Por fim, a instituição reafirmou seu compromisso com a inclusão, a melhoria contínua da infraestrutura e a escuta ativa, destacando que mantém diálogo permanente com a comunidade acadêmica para garantir as melhores condições de aprendizado.