Economia

Conchas de sururu beneficiam mais de 20 famílias em Alagoas

Por Assessoria 12/05/2026 12h05 - Atualizado em 12/05/2026 16h46
Conchas de sururu beneficiam mais de 20 famílias em Alagoas
Iniciativa conta com recursos não reembolsáveis do BNB para a promoção da economia circular e para a reestruturação produtiva do Entreposto Sururu no bairro do Vergel do Lago, em Maceió - Foto: Assessoria

O projeto “Inovação e Socioeconomia Circular na Lagoa Mundaú”, do Instituto Brasileiro de Desenvolvimento e Sustentabilidade (IABS), tem ampliado a capacidade produtiva do Entreposto Sururu, no bairro do Vergel do Lago, em Maceió, por meio do reaproveitamento das conchas de sururu como matéria-prima para a fabricação de produtos de maior valor agregado. A iniciativa foi selecionada no edital do Fundo de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Inovação (Fundeci), do Banco do Nordeste (BNB), na categoria Desenvolvimento Territorial Sustentável e Regenerativo, recebendo recursos da instituição para realização das ações programadas.

A proposta tem beneficiado mais de 20 famílias na região e pretende aumentar em 30% a base de marisqueiras integradas formalmente à cadeia produtiva das conchas de sururu com o direcionamento de recursos fornecidos pelo Fundo do BNB.

Segundo a coordenadora das ações do projeto, Roberta Roxi, as atividades implementadas visam fortalecer oportunidades de trabalho local, ampliar a geração de renda e criar novas possibilidades de qualificação profissional para moradores da própria comunidade, promovendo a reestruturação da linha de produção e do reaproveitamento das conchas, que servem como matéria-prima na produção de elementos para arquitetura e construção civil, a exemplo de cobogó e revestimento de parede.

“Estamos focando na inovação e na modernização da linha produtiva, com introdução de novos equipamentos, reorganização do layout operacional, padronização de processos e monitoramento por indicadores de desempenho. Essas melhorias visam aumentar a eficiência da produção, reduzir desperdícios e melhorar as condições de trabalho no espaço fabril”, atesta a coordenadora.

Ainda de acordo com Roberta, a iniciativa pretende fortalecer a participação das marisqueiras ao integrá-las de forma mais estruturada à cadeia de fornecimento das conchas, reconhecendo seu papel como agentes centrais da socioeconomia circular local. Além disso, com a implementação dos novos moldes, é esperado que haja uma redução de 5% nos custos de produção e o aumento de 10% na produtividade do Entreposto Sururu.
“Além da remuneração pelo resíduo antes descartado, a proposta amplia a inserção produtiva das mulheres, fortalece sua autonomia financeira e contribui para a valorização do trabalho feminino em uma atividade historicamente invisibilizada. Ao gerar nova renda e ampliar o protagonismo das marisqueiras, o projeto avança também na promoção da equidade de gênero dentro da economia local”, destaca.

Integração social e produtiva

Do ponto de vista estratégico, a intervenção socioeconômica dialoga com diferentes Objetivos de Desenvolvimento Sustentável (ODS) da Organização das Nações Unidas (ONU), ao promover geração de renda, valorização do trabalho das mulheres, consumo e produção responsáveis e parcerias entre instituições públicas, privadas e comunitárias. É o que ressalta o gerente executivo de Desenvolvimento Territorial do BNB, Manoel Roberto Muniz.

Na perspectiva do gerente executivo, a iniciativa contribui para a competitividade dos empreendimentos econômicos, que aliada à prática da economia circular, proporciona mais longevidade às ações estruturadas e contribui para a sustentabilidade da atividade produtiva.

“Com a implantação do projeto do Entreposto do Sururu na Lagoa Mundaú, a expectativa é que tenhamos inclusão produtiva, ocupação e geração de renda para a população local, tudo em consonância com a sustentabilidade ambiental. Essa iniciativa também contribui para a preservação desse molusco que é um patrimônio imaterial do estado de Alagoas”, salienta o executivo.

Para a coordenadora do projeto, o apoio do BNB por meio do Fundeci, é decisivo para consolidar uma proposta que conecta inovação, inclusão produtiva e desenvolvimento territorial. “Mais do que financiar melhorias operacionais, o investimento do Banco do Nordeste vai fortalecer bastante o nosso modelo de negócios, com um impacto que, com certeza, vai gerar benefícios econômicos, sociais e ambientais para a comunidade”, evidencia Roberta.

Fundeci

O Fundeci é um instrumento do BNB responsável pelo apoio financeiro não reembolsável a projetos de pesquisa, inovação, desenvolvimento tecnológico e sustentabilidade, com foco no fortalecimento da competitividade de empresas e instituições da região Nordeste e do norte de Minas Gerais e do Espírito Santo.

Conforme explica Manoel Roberto Muniz, o fundo está diretamente relacionado ao desenvolvimento territorial que, por meio de editais temáticos, estimula soluções alinhadas às demandas dos territórios.

“Entre os objetivos do Fundeci destaca-se o apoio às pesquisas e estudos voltados para a melhoria da produtividade e competitividade dos setores econômicos da região, além de promover a difusão de tecnologias produtivas e estimular a difusão de conhecimentos socioeconômicos. Logo o apoio às iniciativas voltadas para o desenvolvimento territorial sustentável e regenerativo está diretamente relacionado aos objetivos do Fundeci”, conclui.