Economia

Alagoas tem a quarta energia mais cara do país

De acordo com dados da Aneel, estado só perde para Rio de Janeiro, Mato Grosso do Sul e Pará; Equatorial contesta levantamento

Por Ricardo Rodrigues - repórter / Tribuna Independente 07/01/2026 08h27 - Atualizado em 07/01/2026 09h35
Alagoas tem a quarta energia mais cara do país
A gerente de Relacionamento com o Cliente da Equatorial/AL, Patrícia Moraes, disse que a tarifa social atende a 546 mil consumidores - Foto: Divulgação

Em 2025, Alagoas aparece como um dos estados com a energia elétrica mais cara do Brasil, muito embora os rankings exatos variem de acordo com os reajustes. Outras unidades federativas como Pará (com altos aumentos em 2025), Mato Grosso do Sul e Rio de Janeiro também figuram entre aqueles que praticam as tarifas mais caras do Brasil.

A Equatorial nega que Alagoas tenha uma das tarifas de energia mais caras do País, mas no ranking da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), divulgado em agosto de 2025, o Estado aparece com a quarta tarifa mais cara do Brasil: com R$ 0,863 o valor do kWh. O Estado do Pará lidera o ranking, com R$ 0,938/kWh; seguido por Mato Grosso do Sul (R$ 0,870/kWh) e Rio de Janeiro (R$ 0,870/kWh).

Por conta do preço alto da tarifa e da falta de transparência da empresa ao ser questionada sobre os valores abusivos cobrados, a inadimplência tem aumentado consideravelmente, porque o consumidor simplesmente não consegue pagar as contas. Prova disso tem sido a grande procura por acordo nos Feirões de Renegociação de Dívidas, como o promovido pelo Procon no final do ano passado.

O gasto com energia elétrica tem impactado muito nas despesas do trabalhador brasileiro assalariado, principalmente quando as empresas passam a usar a bandeira vermelha. Não por acaso, é grande o número de famílias inadimplentes, mas a Equatorial não fornece números sob a alegação de que há veto da lei de proteção de dados.

Quem não pagar a fatura, um mês depois de vencida, o corte da energia já pode ser efetuado pela concessionária. Para fazer frente aos altos custos do serviço e à baixa renda dos consumidores assalariados, a Equatorial oferece a Tarifa Social às famílias inscritas no Cadastro Único (CadÚnico), com renda de até meio salário mínimo por pessoa.

O benefício também é destinado aos idosos ou pessoas com deficiência que recebem o Benefício de Prestação Continuada (BPC), além de famílias com cadastro do Número de Identificação Social (NIS) atualizado nos últimos dois anos e famílias com pessoas enfermas que dependem de aparelhos elétricos de uso contínuo, com renda mensal de até três salários mínimos.

No entanto, há uma demanda reprimida com relação à busca pela Tarifa Social. Segundo a assessoria da Equatorial, cerca de 200 mil pessoas teriam direito ao benefício, mas não recebem o desconto nas contas de energia porque ainda não se cadastraram.

“Um levantamento da Equatorial Alagoas mostra que esse público está concentrado principalmente em cinco municípios do estado, liderados por Maceió, seguidos por Arapiraca, Rio Largo, União dos Palmares e Palmeira dos Índios, onde o potencial de adesão ao programa é maior”, destacou a assessoria.

No ranking dos municípios com maior número de famílias aptas ao benefício, Maceió aparece em primeiro lugar, com 51.419 famílias. Na sequência estão Arapiraca, com 8.355, Rio Largo, com 5.897, União dos Palmares, com 5.131, e Palmeira dos Índios, com 4.788. Juntos, esses municípios somam 75.590 unidades consumidoras que poderiam estar recebendo o desconto previsto na Tarifa Social.