Economia

Especialista em proteção costeira defende maior empenho dos municípios na implantação da economia do mar

Por Claudio Bulgarelli 01/04/2025 00h53 - Atualizado em 01/04/2025 00h58
Especialista em proteção costeira defende maior empenho dos municípios na implantação da economia do mar
A economia do mar em debate - Foto: Divulgação

No planeta Terra, 71% é água. Vale lembrar que a maior parte desse percentual é de água salgada. O Brasil é colossal tanto em água doce (12% do planeta), quanto em água salgada (é o quinto maior litoral do mundo).

E no mar que muitas atividades acontecem: turismo, extração de petróleo e gás do subsolo oceânico, geração de energia das ondas, transporte marítimo, construção e reparação naval, pesca, defesa e segurança, comunicação por cabos submarinos e muito mais. Porém, para se desfrutar das possibilidades proporcionadas pelo mar, muitos setores econômicos estão envolvidos.

É a economia do mar acontecendo. A economia do mar é a quantificação dos usos ofertados pelo mar. Ou seja, os usos que faz do turismo, da energia, do transporte marítimo, da construção naval, da pesca, e das muitas outras atividades tradicionais ou emergentes, direta ou indiretamente relacionadas ao mar. Independentemente de se morar perto ou longe do mar, ao se consumir, usufruir e apreciar quaisquer recursos que o mar ofereça, todos fazem parte da engrenagem que move essa economia.

Por isso o engenheiro Marco Lyra, especialista em proteção costeira, CEO da Ocean Protections, empresa especializada em recuperação de praias, defende que os municípios costeiros alagoanos se empenhem mais na implantação de secretarias exclusivas para a economia do mar. "Veja bem, Alagoas tem 27 municípios costeiros, sendo 14 com mar em seu território e 13 com rios e lagunas. Sabe o que isso quer dizer? Que eles representam mais de 50% do Produto Interno Bruto (PIB) do Estado. Eis aí a importância desse novo setor", afirma Lyra.

"Sabemos então que o gestor, ou gestora desses municípios que decidirem buscar o Certificado Selo Azul Cidades Costeiras, estará dando um importante passo aumentar seu faturamento, junto ao Fundo de Participação dos Municípios, porque vai impulsionar a economia dos municípios costeiros. O selo promete melhorar a qualidade de vida das populações litorâneas, fortalecendo a relação entre sustentabilidade e crescimento econômico", afirmou o engenheiro.

No conjunto das atividades econômicas relacionadas ao mar, concentram-se 19% do Produto Interno Bruto brasileiro, sendo que destes, 3% são referentes às atividades diretamente relacionadas ao mar. A economia do mar se equipara ao robusto setor agrícola, gerando mais riquezas do que outros países ao redor do mundo. Somente no ano de 2015, a economia do mar empregou mais de 19 milhões de pessoas e gerou quase R$ 500 bilhões.

O Sistema Tribuna de Comunicação se destacou como pioneiro na discussão sobre a Economia do Mar Sustentável, conhecida como Economia Azul. Em 2022, o Seminário Impacto da Convergência na Região Metropolitana de Maceió (RMM), promovido pela Cooperativa de Jornalistas e Gráficos do Estado de Alagoas (Jorgraf), - com sua rede de comunicação impressa, TV e portal, - em parceria com a empresa alagoana GQTech - Tecnologia e Gestão, promoveu o debate com especialistas sobre os desafios e oportunidades da Economia Azul na Região Metropolitana de Maceió, ressaltando a importância do setor para o desenvolvimento econômico e ambiental.

O Estado do Rio de Janeiro, o município de Cabo Frio (RJ) e Salvador (BA) já criaram a Secretaria do Mar. São o Estado, a capital e o município que saíram na frente com a Certificação Selo Azul Cidades Costeiras, que é um instrumento inédito de análise e reconhecimento das cidades que promovem a Economia do Mar Sustentável, ou Economia Azul, por meio de estratégia estruturada de desenvolvimento econômico sustentável, que valoriza os recursos marinhos e costeiros.

O potencial da Economia Azul brasileira é extraordinário, pelo seu tamanho e diversidade. O Brasil tem 17 estados litorâneos e 443 cidades costeiras ao longo de 8 mil km de litoral. Nesta região concentram mais de 80% do PIB e da população do país. Para Marco Lyra, os municípios alagoanos ligados a Economia do Mar, e devidamente habilitados com a certificação, terão mais oportunidades para atrair investimentos, fomentar o turismo sustentável e fortalecer setores estratégicos como a pesca, o transporte marítimo e as energias renováveis.

Os municípios costeiros em Alagoas, com rios e lagoas são Atalaia, Barra de São Miguel, Barra de Santo Antônio, Coqueiro Seco, Coruripe, Feliz Deserto, Igreja Nova, Japaratinga, Jequiá da Praia, Maceió, Marechal Deodoro, Penedo, Maragogi, Messias, Murici, Paripueira, Passo de Camaragibe, Pilar, Porto Calvo, Porto de Pedras, Piaçabuçu, Rio Largo, Roteiro, São Luís do Quitunde, São Miguel dos Milagres, Santa Luzia do Norte e Satuba.