Ciência e Tecnologia
Engorda artificial em praias alagoanas pode apresentar elevado impacto ambiental
Alerta do especialista Marco Lyra é para adotar soluções dissipativas ou híbridas
O engenheiro Marco Lyra, um dos maiores especialistas do Brasil em recuperação costeira, quase sempre se pergunta: Qual o custo e qual o benefício de uma engorda artificial? Atualmente muito se discute sobre o resultado das engordas artificias recentemente feitas no litoral do Brasil, para controlar o avanço do mar nas cidades costeiras. O alto custo de uma engorda artificial de praia e o tempo de permanência da areia no terraço de praia, nos leva a questionar: Qual o custo e qual o benefício desse tipo de intervenção?

Segundo ele, que é o CEO da Ocean Protections, empresa especializada com obras de proteção de praias, "A engorda artificial consiste na dragagem de areia do fundo marinho e sua deposição na faixa de praia com o objetivo de conter erosão e ampliar a área útil".
E ele apresenta os principais problemas identificados:
Primeiro, é o impacto ambiental elevado: a dragagem remove totalmente o sedimento vivo, destruindo microrganismos bentônicos essenciais ao ecossistema marinho; alterações na turbidez da água afetam peixes, recifes e cadeias alimentares; baixa durabilidade: em diversos casos brasileiros, como Camboriú/SC, Matinhos/PR e Natal/RN, houve perda significativa do volume de areia em menos de 5 anos, exigindo novas intervenções e o alto custo financeiro: Investimentos públicos próximos de R$ 500 milhões nos últimos 5 anos, com retorno limitado em termos de proteção costeira duradoura.
Além disso, existe a dependência de manutenção constante, o que torna a solução pouco sustentável a médio e longo prazo. Havendo a necessidade de reavaliação do projeto e soluções complementares. É preciso buscar nos atuais projetos de proteção costeira, soluções baseadas na natureza com estudos aprofundados do balanço sedimentar, avaliações rigorosas de custo-benefício da intervenção com o monitoramento de após obra para validar a eficácia do resultado.
Em Alagoas temos excelentes exemplos de proteção costeira com uso de estruturas dissipativas do tipo Sandbag e Bagwall, cujos resultados foram a reposição gradual e contínua de sedimentos, acompanhando os ciclos naturais, um menor impacto ambiental, preservando ecossistemas marinhos e costeiros, maior estabilidade ao longo do tempo, com adaptação natural a eventos extremos e custos significativamente menores, principalmente em manutenção.

Engorda natural na praia do Marceneiro, Passo de Camaragibe

Praia de Japaratinga recuperada com intervenção da Ocean Protections

Barra Nova, trecho recuperado
Para o engenheiro, "no resumo, temos a seguinte situação: se o objetivo for impacto rápido e visível, a engorda funciona, mas é cara e temporária. Se o objetivo for estabilidade e custo-benefício, as soluções dissipativas são superiores. E se o objetivo for eficiência real, a solução híbrida é a melhor escolha", finaliza Marco Lyra.
Mais lidas
-
1O retorno de um ícone do horror
Quem é o pai de Jason Voorhees? Elias Wittering muda a origem do assassino em Crystal Lake
-
2Até 25 de outubro
BRK está com vagas abertas para diferentes áreas na Região Metropolitana de Maceió
-
3Itapecerica da Serra
Mulher é estuprada após sair em van clandestina de Alagoas para São Paulo
-
4Série B
CRB perde para o Botafogo-SP e deixa escapar oportunidade de voltar ao G6
-
5Neste domingo
Caminhada Bora Lula reúne apoiadores e leva a mobilização política às ruas de Maceió




