Cidades

São Jorge: um bairro em crescimento

Região vive uma transformação com aumento populacional e empreendedorismo, atraindo diversos setores produtivos

Por Cláudio Bulgarelli 11/07/2026 06h10
São Jorge: um bairro em crescimento
Das chácaras e loteamentos informais ao surgimento de novos empreendimentos e unidades hospitalares que surgem ao longo das principais avenidas que dão acesso ao São Jorge - Foto: Gilvan Sobrinho

Dando continuidade as reportagens especiais da Tribuna Independente sobre empreendedorismo e a história dos bairros de Maceió, o São Jorge, região de conexão entre a parte alta e baixa da capital, vive uma das transformações urbanas e comerciais mais aceleradas da capital alagoana. Oficializado como bairro no ano de 2000, ele deixou de ser uma área predominantemente rural, composta por sítios e chácaras, para se consolidar como um polo de forte atração imobiliária e expansão residencial vertical, sobretudo, após o desastre ambiental provocado pela Braskem, registrando um salto populacional e estrutural expressivo nos últimos anos.

Originalmente, a paisagem do São Jorge era composta por chácaras e loteamentos informais, como o Planalto Santa Rita e o Parque Miramar. Sem asfalto e com moradias simples, a região sofreu por anos com a falta de infraestrutura básica, sendo conhecida até mesmo como o único bairro de Maceió sem uma praça pública e uma sequer rua com asfalto. Um dos moradores mais antigos, Júnior Moura, que chegou ao bairro no início dos anos 80, vindo do Rio Grande do Norte, é um dos pioneiros a desbravar a região. Seu filho, Bila Moura, empresário que reside no bairro, conta que as ruas eram de lama, com muito fedor, ratos e moscas, devido a proximidade com o antigo lixão. ``A família Moura está aqui no bairro há quase 50 anos, meu pai desbravou as ruas, e estamos aqui até hoje. Mas diferentemente do passado, hoje o bairro, além de fazer conexão com vários outros bairros, se transformou num importante polo comercial e, sobretudo, imobiliário. Duas avenidas também ajudaram esse crescimento, a José Airton Gondin Lamenha e a Josefa de Melo, onde estão surgindo vários prédios e até hospitais´´, afirma ele.

Claro que o crescimento imobiliário do bairro São Jorge, continua sendo impulsionado pela expansão da infraestrutura urbana e pela proximidade com o vetor de crescimento da região norte. O bairro deixou de ser uma área exclusivamente periurbana para se tornar um forte polo de lançamentos residenciais verticais de médio padrão. Assim, o São Jorge registrou um salto populacional extraordinário de 96%, o maior crescimento percentual da cidade no período.

Transformação

A partir dos anos 2000, o cenário começou a se transformar. O marco dessa mudança foi a construção da avenida José Airton Gondim Lamenha (ligando o Barro Duro a Jacarecica) e a desativação do antigo lixão que ficava nos limites do bairro. Essa valorização fez do São Jorge um dos bairros que mais cresceu demograficamente na capital, atraindo uma série de novos condomínios e empreendimentos residenciais.

Localizado a poucos minutos do Parque Shopping Maceió e da Avenida Josefa de Melo, conectando rapidamente a parte alta ao litoral norte, Cruz das Almas e Jacarecica, e vários investimentos públicos, como a pavimentação recente de mais de 30 ruas pela gestão municipal, que reestruturou a mobilidade interna e atraiu grandes construtoras, fazendo, inclusive, a rápida subida do preço do metro quadrado. Atualmente o valor médio gira em torno de R$ 8.805/m². e o custo ainda atrai compradores por estar abaixo da média geral de Maceió (R$ 12.655/m²), oferecendo excelente custo-benefício.

Assim o mercado imobiliário privado passou a investir em condomínios fechados e edifícios de apartamentos, impulsionado pela vista privilegiada para o mar. E novas áreas de convivência, como a entrega da Praça São Luís Orione, transformando um antigo terreno baldio em espaço de lazer estruturado e iluminado, está também provocando uma nova dinâmica do crescimento comercial. A chegada da fábrica da Sucolândia, é um bom exemplo. Com isso, o rápido adensamento populacional forçou a chegada de pequenos e médios negócios locais. O bairro hoje conta com uma rede interna vibrante de minimercados, padarias, farmácias, oficinas e serviços cotidianos essenciais. E cenário do empreendedorismo passa por um momento de fortetransformação, impulsionado por investimentos em infraestrutura urbana,projetos de qualificação digital e forte apelo ao comércio comunitário de vizinhança.

Negócios e Investimentos

O forte do São Jorge são os negócios voltados para o consumo cotidiano, como mercadinhos, salões de beleza, oficinas, confecções e lanchonetes. Além disso, o ecossistema local conta com o apoio de institutos e empreendedores sociais independentes que promovem mentorias de negócios nas comunidades locais. E o fortalecimento de comércios de bairro e empresas de serviços (como escritórios de engenharia, oficinas e mercados) reduz a dependência de deslocamento dos moradores para outras regiões, aquecendo a economia interna.

Mesmo com o avanço acelerado, a comunidade do São Jorge ainda lida com o contraste do crescimento desordenado. Enquanto grandes condomínios de alto padrão ocupam algumas áreas, regiões internas e grotas do bairro ainda demandam melhorias em saneamento básico, iluminação pública noturna e segurança em trechos residenciais isolados. Com isso, o ritmo acelerado de construções está gerando gargalos na infraestrutura local. Moradores registram oscilações constantes na rede de energia elétrica devido à sobrecarga provocada pelo rápido adensamento populacional do bairro nos horários de pico.

A empresária e engenheira civil Cássia Sena, que por mais de 15 anos comandou a Miami Engenharia e Sinalização, uma das grandes empresas pioneiras da região, se destaca como uma das principais vozes na defesa do desenvolvimento e dos investimentos no bairro do São Jorge. Como CEO da Sena Engenharia e Construção e moradora da região, ela atua ativamente tanto no setor produtivo quanto na cobrança de infraestrutura e na promoção de ações sociais para a comunidade.

Cássia, que utiliza sua posição no mercado corporativo alagoano para impulsionar e viabilizar o bairro, afirma que existem três formas principais. ``A história do bairro é importante, seus moradores e seu comércio também. Então temos o fomento econômico, com a manutenção da sede das minhas empresas de construção e engenharia no próprio bairro, gerando postos de trabalho diretos, como muitas outras que já estão aqui e muitas chegando, como a fábrica da Sucolândia, e os hospitais do Carmo e da Unimed´´, afirma ela.

Para o empresário Leandro Carlos, CEO do Grupo LC, que mantém seus negócios no bairro há mais de 10 anos, como o Posto Reyauto, é importante manter a economia circular, ou seja, tudo o que é gerado, circula dentro do próprio bairro. ``Estamos falando de um bairro que vem crescendo muito, com muitos investimentos imobiliários, e mais moradores chegando de outros bairros. Isso faz surgir novos empreendedores, pequenos e grandes, como fábricas e até um hotel pet. Isso é importante para o bairro. A valorização ajuda a todos´´, afirma o empresário.

Assim o bairro do São Jorge, uma região em forte transformação na parte alta de Maceió, conhecido pelo crescimento populacional, e pelo empreendedorismo circular, é um bom exemplo da importância dos bairros no contexto sócio econômico de uma cidade.