Cidades
Roda de conversa sobre ações de reparação coletiva reúne Povos da Lagoa e participantes da Incubadora Digital
Encontros consecutivos promoveram diálogo entre comunidades, instituições e representantes do Programa Nosso Chão, Nossa História, visando à reparação
O Ministério Público Federal (MPF) participou, nos dias 6 e 7 de julho, de duas novas edições do Ecoa Dialoga, iniciativa que integra a programação da exposição Ecoando: Vozes da Reparação e busca aproximar as pessoas destinatárias dos projetos de reparação das instituições responsáveis por sua implementação.
Os encontros reuniram representantes comunitários, beneficiários dos projetos, integrantes do Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE) e do Escritório das Nações Unidas de Serviços para Projetos (Unops), promovendo espaços de escuta, avaliação e construção conjunta das ações desenvolvidas pelo Programa Nosso Chão, Nossa História.
As atividades contaram com a participação da procuradora da República Roberta Bomfim, da presidente do CGDE, Dilma Carvalho, de integrantes do Comitê, como Renata Suelen Malta e Telma Guimarães, e de representantes do UNOPS, entre eles Mauro Coutinho, responsável pela mediação dos diálogos.
Na primeira edição, dedicada aos Povos da Lagoa, representantes de coletivos culturais, organizações comunitárias e moradores dos territórios atingidos compartilharam experiências sobre os projetos em andamento e apontaram caminhos para fortalecer as iniciativas de reparação coletiva. Participaram integrantes do Movimento dos Povos da Lagoa, da Roda de RExistência, do podcast Solo Caeté, da CoopMaris, do Centro de Educação Ambiental São Bartolomeu (CEASB) e da Pastoral da Criança, vinculada à Cáritas. Entre os principais temas discutidos estiveram a continuidade de iniciativas voltadas à geração de renda, como a Feira das Marisqueiras, o fortalecimento institucional das organizações locais, a necessidade de ampliar investimentos em projetos já desenvolvidos pelas comunidades e os desafios enfrentados por grupos que ainda não possuem estrutura formal para acessar editais e recursos. Também foram compartilhadas experiências de articulação comunitária inspiradas em iniciativas internacionais de participação social.
No dia seguinte, o diálogo teve como foco a Incubadora Digital, projeto voltado ao apoio e fortalecimento de empreendedores impactados pelo desastre socioambiental da mineração. O encontro reuniu moradores e ex-moradores dos bairros afetados, alguns participantes atendidos pelo projeto e outros que têm interesse em ingressar em novas turmas. Empreendedoras atendidas relataram as dificuldades enfrentadas e como a iniciativa contribuiu para a reconstrução de suas trajetórias pessoais e profissionais.
Durante a conversa, os integrantes presentes da equipe da Incubadora Digital, Jarpa Aramis e Profa. Natália Levino, destacaram o desafio de implementação do projeto e que ele representa muito mais do que capacitação técnica. Além das mentorias nas áreas de finanças, marketing digital e gestão dos empreendimentos, o projeto tem promovido acolhimento, fortalecimento emocional, ampliação das redes de apoio e novas perspectivas de geração de renda. Atualmente, a iniciativa está disponível para 182 empreendedores interessados e seguirá em execução até maio de 2027. Ficou acordado que a próxima mentoria seria realizada na sede da Associação de Moradores do Bom Parto que ainda não participou do projeto.
Para a procuradora da República Roberta Bomfim, os encontros ampliam a aproximação e a escuta da comunidade atingida, além de permitir que as instituições compreendam, a partir da experiência das próprias comunidades, como os projetos estão impactando a vida das pessoas. "Assim como acontece no Vozes da Mundaú, esses encontros são espaços de escuta qualificada, de aprendizado mútuo e de construção coletiva. Eles nos permitem compreender melhor as necessidades das comunidades, esclarecer dúvidas, identificar oportunidades de aperfeiçoamento dos programas em execução e também refletir sobre como podemos aprimorar a própria atuação institucional".
Durante o diálogo com os participantes da Incubadora Digital, a procuradora também destacou que o compartilhamento de experiências entre pessoas que vivenciaram impactos semelhantes constitui, por si só, uma importante dimensão da reparação coletiva.
As contribuições apresentadas nas duas edições do Ecoa Dialoga serão incorporadas ao processo permanente de avaliação e aperfeiçoamento das iniciativas desenvolvidas pelo Programa Nosso Chão, Nossa História, reafirmando o compromisso das instituições com uma reparação construída de forma participativa, transparente e em permanente diálogo com as comunidades atingidas.
ECOA Dialoga
O Ecoa Dialoga foi concebido para fortalecer o processo de escuta e aproximação entre as pessoas destinatárias dos projetos de reparação, os parceiros implementadores e as instituições responsáveis pela reparação dos danos extrapatrimoniais. Integrando a programação da exposição Ecoando: Vozes da Reparação, a iniciativa transforma o espaço expositivo em um ambiente permanente de diálogo, permitindo que as comunidades conheçam os projetos em andamento, compartilhem suas experiências e contribuam para o aperfeiçoamento das ações desenvolvidas pelo Programa Nosso Chão, Nossa História.
O Programa
O Programa Nosso Chão, Nossa História é voltado à reparação dos danos morais coletivos decorrentes do desastre socioambiental da mineração em Maceió. Criado a partir do Termo de Acordo Socioambiental firmado em 2020, conta com R$ 150 milhões destinados a ações de reparação extrapatrimonial. Os recursos são geridos pelo Comitê Gestor de Danos Extrapatrimoniais (CGDE), composto por representantes da sociedade civil selecionados por edital público do MPF, enquanto a execução das ações é realizada pelo Unops. O Programa apoia iniciativas voltadas ao fortalecimento comunitário, à valorização da memória coletiva, ao desenvolvimento da economia local, à cultura, ao meio ambiente, à saúde mental comunitária e à participação social, colocando as pessoas atingidas no centro do processo de reparação.
As duas edições encerram o ciclo de encontros temáticos promovidos pelo Ecoa Dialoga durante a exposição Ecoando: Vozes da Reparação, iniciativa que transformou o espaço expositivo em um ambiente permanente de escuta, troca de experiências e construção coletiva entre comunidades, instituições e responsáveis pela implementação das ações de reparação.
Serviço
A exposição Ecoando: Vozes da Reparação entra em seus últimos dias de visitação e permanece aberta ao público até a próxima sexta-feira, 10 de julho, com entrada gratuita. A mostra apresenta projetos desenvolvidos pelo Programa Nosso Chão, Nossa História e convida os visitantes a conhecer iniciativas voltadas à reparação dos danos extrapatrimoniais decorrentes do desastre socioambiental da mineração em Maceió.
Local: sede do MPF em Alagoas – Avenida Juca Sampaio, nº 1.800, bairro Barro Duro, Maceió.
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