Cidades
IA pode colocar adolescentes em risco ao criar dietas de emagrecimento, alerta nutricionista
Especialista chama atenção para deficiências nutricionais, baixa ingestão calórica e impactos no desenvolvimento físico e emocional
Dados da pesquisa da Master of Code Global, divulgados em abril deste ano, mostram que 53% da população mundial já utiliza ferramentas de Inteligência Artificial (IA) generativa, sendo a Geração Z a que mais faz uso da tecnologia, com adesão de 70% dos jovens desse grupo. Entre as aplicações mais comuns estão os conselhos de saúde e bem-estar. No entanto, especialistas alertam que confiar em plataformas de IA para elaborar dietas alimentares pode trazer sérios riscos, especialmente para adolescentes.
Um estudo publicado na revista científica Frontiers in Nutrition, em março de 2026, revelou um comportamento preocupante entre os jovens: em uma pesquisa com mais de 300 estudantes do ensino médio, entre 15 e 19 anos, 31,4% afirmaram buscar informações sobre alimentação saudável na internet — incluindo plataformas como o ChatGPT — enquanto apenas 10,5% recorreram a médicos de família.
O problema é que, segundo a pesquisa, modelos de IA apresentaram desvios clinicamente significativos na criação de planos alimentares para adolescentes, tanto em níveis de macronutrientes quanto de micronutrientes. Segundo a análise, os sistemas de IA tendem a subestimar de forma sistemática a quantidade necessária de energia, proteínas, lipídios e carboidratos: em média, os planos alimentares gerados apresentam cerca de 700 calorias a menos por dia do que o recomendado para adolescentes em processo de emagrecimento.
Além disso, o estudo destaca que, embora os chatbots consigam reproduzir princípios gerais das diretrizes nutricionais, sua precisão e consistência ainda são limitadas em casos clínicos mais complexos, podendo gerar recomendações contraditórias ou até potencialmente prejudiciais.
Riscos das dietas muito restritivas
Para a nutricionista clínica Ivanessa Cardoso, o problema se torna ainda mais grave quando envolve adolescentes, fase marcada por intenso desenvolvimento físico, hormonal e cognitivo.
“Dietas muito restritivas, com baixa ingestão calórica e nutrientes inadequados, podem comprometer o crescimento, causar perda de massa muscular, alterações hormonais, queda na imunidade, dificuldade de concentração e até desencadear transtornos alimentares”, afirma a profissional.
Segundo Ivanessa, durante a adolescência o corpo demanda maior aporte energético e nutricional para sustentar o crescimento dos ossos, músculos e órgãos, além da produção hormonal e do desenvolvimento cerebral. Quando há deficiência de proteínas, carboidratos, gorduras boas, vitaminas e minerais, o organismo passa a funcionar de maneira inadequada.
A nutricionista explica que dietas com calorias insuficientes podem provocar fadiga constante, irritabilidade, queda no rendimento escolar, dificuldade de memória e concentração, além de favorecer episódios de compulsão alimentar devido ao excesso de restrição. Em meninas, também podem ocorrer alterações menstruais, enquanto em ambos os sexos há risco de prejuízos ao metabolismo.
A especialista reforça que ferramentas de IA podem até servir como apoio informativo, mas não substituem avaliação individualizada, acompanhamento profissional e análise clínica adequada.
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