Cidades
Entre a frieza dos números e o calor dos nomes: a (im)pessoalidade que define quem somos
Durante o trajeto entre Maceió e Delmiro Gouveia, o promotor de Justiça Frederico Alves Monteiro Pereira transforma o deslocamento rotineiro em espaço de reflexão. Em uma dessas viagens, embalado pela canção Sangue Latino, interpretada por Ney Matogrosso, o autor revisita experiências pessoais para discutir a tensão entre impessoalidade e humanidade nas relações sociais e institucionais.
A música serve de gatilho para recordar um episódio ocorrido há mais de uma década, em Manga, no interior de Minas Gerais. Em um jantar, ele conhece uma jovem engenheira química, de origem sertaneja, mas com trajetória acadêmica e profissional construída nos grandes centros urbanos. Com formação de destaque, passagem pela Petrobras e planos de pós-doutorado na Inglaterra, ela exaltava a meritocracia e a objetividade do mercado europeu e asiático, ao mesmo tempo em que demonstrava distanciamento crítico em relação às próprias raízes e à cultura latina.
A conversa evolui para a defesa do tratamento impessoal como virtude. Para provocar reflexão, o promotor relata o caso de uma amiga igualmente qualificada, também engenheira química, que vivia em Londres e trabalhava em uma indústria farmacêutica. Grávida do segundo filho, ela foi transferida compulsoriamente para uma unidade na China, apesar de ter buscado flexibilização junto à empresa. O episódio ilustra, na prática, o que significa ser tratada apenas como um número dentro de uma lógica corporativa estritamente orientada por metas.
Mesmo diante do exemplo, a jovem manteve sua convicção: para ela, o tratamento impessoal seria o modelo correto. A divergência de visões encerrou o diálogo, mas reforçou a reflexão que atravessa toda a crônica — a diferença profunda entre culturas que priorizam a eficiência despersonalizada e aquelas marcadas pela proximidade, pelo nome próprio e pelo contato humano.
Ao retomar os versos de Sangue Latino, o autor associa a informalidade à essência da cultura latino-americana. Abraços, conversas diretas e relações menos protocoladas fazem parte do cotidiano e moldam a forma como as pessoas se relacionam, inclusive com o Estado. Para ele, esse traço não deve ser visto apenas como fragilidade, sobretudo quando orientado por condutas republicanas.
Na avaliação do promotor, a informalidade pode coexistir com os princípios que regem a Administração Pública. Ser atendido com respeito, ser chamado pelo nome e receber um sorriso não compromete a legalidade ou a eficiência. Pelo contrário, pode fortalecer o vínculo entre cidadão e serviço público.
Ao final, ele propõe que “acolher” e “ser acolhido” sejam valores considerados tão relevantes quanto os princípios clássicos da gestão pública. Entre a frieza dos números e a proximidade dos nomes, a reflexão aponta para a necessidade de equilíbrio — sem abrir mão da humanidade.
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