Cidades

Maceioenses mantêm a tradição da ceia

Inflação dos alimentos típicos do Natal chega a 27%, mas muitos não abrem mão de celebrar a data ainda que com adaptações

Por Sirley Veloso com Tribuna Independente 24/12/2021 06h56
Maceioenses mantêm a tradição da ceia
Reprodução - Foto: Assessoria
Mesmo com a economia em crise e uma das piores inflações do mundo, muitos maceioenses pretendem celebrar o Natal com a realização da tradicional ceia em família. Segundo pesquisa da Fundação Getúlio Vargas (FGV), a inflação dos produtos típicos da ceia de Natal chega a 27%, no país. A dona de casa Marúcia Calheiros disse que “os preços estão altíssimos, mas a vontade de celebrar junto à família é grande, já que o ano passado não deu para fazer nada. Na minha casa, a saída para não onerar demais, foi cada membro levar um prato, assim não encarece muito e mantemos nosso encontro”. O gerente de supermercado Felipe Albuquerque disse que o ano passado muitos produtos de Natal deixaram de ser vendidos, por conta das restrições impostas pela pandemia de Covid 19. “Este ano fomos cautelosos com as compras, tanto que alguns produtos já estão em falta”. Ele afirmou ainda que com o objetivo de manter os preços mais acessíveis ao consumidor, o estabelecimento investiu na compra de alguns itens de produtores locais e também na fabricação própria de panetones. Felipe falou que os panetones industrializados tiveram um reajuste de 15% em relação ao ano anterior. Já as aves 18% e os vinhos importados foram os que mais subiram, chegando a 30% o reajuste. Os preços de alguns produtos típicos do Natal variam, consideravelmente, dependendo da marca. O queijo do reino, por exemplo, varia entre R$ 68,98 e R$ 104,98 o quilo. O peru tem preço entre R$ 21,98 e R$ 34,98 o quilo. Já outros tipos de aves natalinas ficam entre R$ 14,98 e R$ 29,90 o quilo e os panetones industrializados variam entre R$ 37,47 e R$ 62,22 o quilo. A aposentada Oeiza D’ Ávila reclamou que “tudo aumentou muito. Estou recorrendo às promoções. Além disso, como ainda estamos muito cautelosos e evitando grandes aglomerações, as comemorações vão ser restritas ao núcleo familiar mais próximo, então cada familiar leva um prato”. A servidora pública Adriana Fragoso disse que é bem tradicional e nesta época do ano faz um sacrifício e investe para manter os produtos típicos do Natal na mesa da família. “Somos seis pessoas, gosto de ter o chester, o peru, o queijo do reino, o panetone. Aprecio muito a mesa de Natal com todos esses itens”. “Cada família sofre a inflação de forma diferente”   A economista Luciana Caetano disse que o índice de inflação calculado pela FGV é uma média da variação que ocorre no Brasil. No entanto, cada família sofre a inflação de forma diferente, dependendo de vários fatores. Entre eles, a região que se vive e a classe social em que o indivíduo está inserido. O nutricionista Luã David disse que as substituições dos itens típicos de Natal por outros de valor mais acessíveis são alternativas viáveis para manter a ceia de Natal tão saborosa quanto à realizada com os produtos mais tradicionais. “O peru costuma aumentar muito nesta época do ano, então o frango é uma opção tão saborosa quanto a ave natalina. O queijo do reino pode ser substituído tranquilamente por outros queijos de preços mais baixos, como o mussarela em barra. Já o bacalhau pode dar lugar para a tilápia ou um outro peixe mais em conta”, afirmou o nutricionista. ORIGEM A Ceia de Natal é uma antiga tradição do povo europeu, que costumeiramente deixavam suas portas abertas para receber viajantes peregrinos para a confraternização da data tão significativa para os cristãos. O Costume da mesa farta e variada foi se espalhando pelo mundo e cada região acrescentando gostos locais. No Brasil, a ceia é composta basicamente por uma mistura de pratos tradicionais europeus e norte-americanos, a exemplo do peru.