Cidades
Bairros que afundam: desaceleração não indica estabilização de solo
Defesa Civil de Maceió diz que dados coletados até agora são inconclusivos para determinar cenário futuro da região

Após audiência pública realizada esta semana no Senado Federal onde o coordenador da Defesa Civil de Maceió, Abelardo Nobre afirmou que a movimentação de solo está “desacelerando”, o órgão explicou - com exclusividade -, à Tribuna Independente, que o movimento superficial tem apresentado sutil diminuição. Entretanto, os dados coletados até agora são insuficientes para determinar que o processo de subsidência está se estabilizando.
Segundo equipe técnica do órgão municipal, o que tem sido observado é uma desaceleração da movimentação, isto é, áreas que afundavam 28 cm ao ano, passaram a afundar 25 cm, o que ainda é considerado muito. Na prática, o processo de afundamento continua evoluindo e o órgão não consegue determinar o que pode estar causando essa diminuição e se é de fato uma tendência.
“O processo é dividido em vários segmentos, a subsidência é a deformação superficial, é a deformação que gera trincas, rachaduras, fissuras. E há uma desaceleração em alguns trechos dessas movimentações. Agora não se sabe ainda se isso é consequência do preenchimento ou se tem relação com alguma outra variável que ainda não está bem definido”, detalhou a equipe técnica do órgão.
Questionados sobre como a Defesa Civil consegue identificar essa desaceleração, o órgão explicou que as informações foram obtidas através das análises dos resultados de interferometria e avaliações de DGPS (equipamentos que acompanham a movimentação), mas que esses dados são preliminares e que não há histórico disponível para determinar a influência de fatores como chuva, preenchimento das cavidades, entre outros aspectos e portanto ainda é cedo para fazer prognósticos. Também não há informações se e quando os dados coletados até agora serão disponibilizados em relatório público.
“A gente constata a partir de monitoramento, seja por DGPS seja por interferometria, são dois métodos de acompanhamento, de verificar o solo, que nos dão o deslocamento por área de uma região, o deslocamento, o tempo e a velocidade. A velocidade em relação ao tempo determinando a aceleração. E aí a gente sabe se está acelerando ou desacelerando. Essa questão ainda é muito sutil, não há notificação significativa, é muito precoce fazer julgamento porque essas informações são muito recentes e não temos uma relação de sazonalidade, saber se há uma relação de causa e efeito com as chuvas porque só equipamentos recentes, foram instalados em 2019 e outros em 2020 e não temos dados suficientes para apontar que há uma desaceleração de fato relacionada ao preenchimento ou período seco e se no período chuvoso pode voltar a acelerar”, pontua.
Cabe ressaltar que uma das medidas de mitigação do processo de subsidência é o preenchimento de quatro cavidades com material sólido que vem sendo executada pela Braskem.
“Potencial de atingir outros bairros hoje é zero”, afirma a Defesa Civil
A Comissão de Fiscalização e Controle do Senado realizou na última quinta-feira (25) uma audiência pública que debateu aspectos do afundamento de solo vigente em cinco bairros da capital alagoana. Participaram os coordenadores do Gabinete de Gestão Integrada para a Adoção de Medidas de Enfrentamento aos Impactos do Afundamento dos Bairros (GGI dos Bairros) e da Defesa Civil Municipal.
E foi o coordenador da Defesa Civil, Abelardo Nobre, que afirmou que havia uma desaceleração. “O potencial de atingir outros bairros hoje é zero. Estudos apontam que do eixo da cavidade de extração de sal, até a área que pode ser atingida por uma possível deformação da camada de sal é de um raio de 900 a 1.000 metros, o que nos confirma que nenhum outro bairro deverá ser atingido”, explica.
Além disso, o titular da pasta disse ainda que não há evidências até o momento que justifiquem a atualização do mapa de risco e inclusão de novas áreas. Vale ressaltar que a discussão dos limites das áreas consideradas de risco tem sido alvo de debates e reclamações das comunidades “na borda do mapa”, isto é, que estão na circunvizinhança.
Mas, conforme explicou a Defesa Civil à Tribuna Independente, todas as informações passadas se referem ao atual momento. Não é possível prever se, nos próximos meses ou anos, novas áreas passarão a ter influência do fenômeno considerando sua dinamicidade.
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