Cidades

Defensoria Pública inspeciona área do Bom Parto e constata várias danificações em imóveis

Instituição quer, o mais rápido possível, a inclusão da área no programa de realocação e compensação financeira da Braskem

Por Ascom Defensoria Pública de Alagoas 19/12/2020 10h53
Defensoria Pública inspeciona área do Bom Parto e constata várias danificações em imóveis
Reprodução - Foto: Assessoria
O defensor público Ricardo Melro, após relatos dos moradores de que diversas residências situadas na área de monitoramento do Bairro Bom Parto têm apresentado rachaduras e afundamentos, inspecionou, na última quinta-feira (17), a região e constatou diversos imóveis danificados em decorrência do trabalho da mineradora. “Viemos in loco para constatar de fato a situação. Tudo isso que foi constatado servirá para fortalecer os avanços das negociações que estamos tratado com a Braskem (e com as demais instituições da força-tarefa), para incluir as bordas dos mapas (Bebedouro e Bom Parto) no programa de realocação e compensação, com cerca de mais de 3 mil imóveis, apesar de o mapa das Defesas Civis nacional, municipal e CPRM não tê-las incluído. Além disso, estarmos aqui com a comunidade é muito importante para sentir toda a angústia que as pessoas estão passando. Não bastasse a completa exclusão social e total ausência do poder público, ainda têm que suportar a incerteza de seu destino e o risco de morte diário. Enfim, estamos trabalhando para ampliar o mapa, o mais rápido possível, para que as pessoas tenham certeza que serão contempladas com suas indenizações e buscar um lugar seguro para morar”, explicou Melro. As casas ficam perto de uma área já evacuada em razão da tragédia geológica que começaram a surgir há mais de dois anos. No decorrer do tempo, muitos residentes tentaram consertar o problema fazendo reformas e remendos nas paredes, mas novas fendas e afundamentos continuam a surgir. Sem apoio estatal ou da mineradora, muitos moradores assustados têm abandonado suas casas e alugado novas casas em outros locais, utilizando seus poucos recursos financeiros. Aqueles que não têm condições de buscar novas moradias continuam no local, convivendo com o medo. Há cerca de dois meses, a Defensoria Pública Estadual já havia discordado da proposta de separação nas áreas afetadas pela mineração em duas: de risco presente (que entraria no novo termo de acordo) e a outra de risco futuro, que não seria incluída no programa de realocação e indenização de imediato, pois a Defensoria considera toda a área afetada como risco presente. Segundo o defensor Ricardo Melro, a empresa já concordou que toda a área precisa ser tratada igualmente. "Os moradores têm pressa nessa formalização e a inspeção vem a confirmar a real necessidade da rápida inclusão da área”, disse o defensor. Nesta segunda-feira, o defensor público se reunirá, às 10:30h, com a liderança do Bom Parto para pegar mais detalhes da região. Além disso, a Defensoria também se reunirá com a Braskem e irá vistoriar, durante os próximos dias, mais locais atingidos pelo trabalho de mineração.