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Deolane Bezerra deverá retirar mega hair em cadeia no interior de São Paulo por 'risco de fuga'

Procedimento é padrão na unidade, conforme apontam policiais penais

Por Diário do Nordeste 25/05/2026 16h02 - Atualizado em 25/05/2026 16h12
Deolane Bezerra deverá retirar mega hair em cadeia no interior de São Paulo por 'risco de fuga'
Deolane irá para penitenciária de Tupi Paulista, local com capacidade para 714 detentas. - Foto: Reprodução

A influenciadora e advogada Deolane Bezerra presa na quinta-feira (21) durante a Operação Vérnix, que apura um esquema de lavagem de dinheiro para o Primeiro Comando da Capital (PCC), terá que retirar o mega hair (aplique de cabelo) para permanecer na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, no Interior de São Paulo.

A informação foi repassada ao G1 por policiais penais da unidade.

Segundo os relatos do policiais penais, o procedimento é adotado por questões de segurança, já que o cabelo alongado poderia representar “risco de fuga”, não necessariamente da acusada. Além disso, piercings também não são permitidos na unidade.

Deolane foi transferida para o interior de São Paulo depois de passar pela penitenciária na capital, onde policiais penais denunciaram supostas regalias concedidas à influenciadora.

Na Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, segundo os policiais, a influenciadora está em uma ala destinada a presos advogados, em celas chamadas de Estado Maior, e não divide espaço com presas comuns. Ela também não mantém contato com as demais detentas da unidade.

A influenciadora estaria utilizando uniforme padrão e os mesmos itens fornecidos às outras presas, como toalhas, cobertores, lençóis, travesseiros e colchões.



A Secretaria da Administração Penitenciária (SAP) informou que "todos os presos do estado estão sujeitos às normas do sistema prisional paulista".




Sindicato denunciou regalias

Na sexta-feira (22), o Sindicato dos Policiais Penais do Estado de São Paulo (Sinppenal) denunciou à SAP supostas regalias concedidas à influencer enquanto ela ficou presa por 14 horas na penitenciária da capital.


Entre os supostos privilégios denunciados pelo Sinppenal estariam:

.Improvisação de uma cela especial para Deolane, destinada originalmente a detentas que aguardavam consultas médicas; ela ficou sozinha no local.

.Instalação de cama de ferro com colchão, lençol e travesseiro diferentes dos usados pelas demais presas, que dormem em camas de concreto.

.Instalação de chuveiro elétrico privativo no local onde Deolane ficou presa; as demais presas têm direito, mas fazem uso em um espaço coletivo.

.Realização de reforma e pintura no espaço ocupado por Deolane, descritas como melhorias estruturais restritas ao alojamento dela.

.Restrição de acesso de policiais penais ao local, o que teria comprometido a fiscalização e a segurança institucional.

.Recepção pessoal de Deolane por um dos diretores da unidade, apontada como tratamento diferenciado sem respaldo legal ou regulamentar.

A Ordem dos Advogados do Brasil em São Paulo (OAB-SP) informou que "existe previsão legal no Estatuto da Advocacia para que advogados presos preventivamente, ou seja, antes do trânsito em julgado da sentença, sejam recolhidos em sala de Estado-Maior ou, na ausência, em local equivalente, separado dos presos comuns."

"A Comissão de Prerrogativas da OAB SP acompanha o caso envolvendo a advogada e influenciadora Deolane Bezerra no âmbito da defesa das prerrogativas profissionais previstas em lei, e não por qualquer privilégio pessoal", diz a nota.

Transferência e investigação

A influenciadora permaneceu detida na unidade prisional entre 15h20 de quinta-feira (21) e 5h20 desta sexta-feira (22), quando foi transferida para uma penitenciária no interior do estado.

Ela foi presa durante uma operação do Ministério Público e da Polícia Civil que apura um esquema de lavagem de dinheiro supostamente ligado ao PCC. De acordo com as investigações, Deolane teria ligação com movimentações financeiras atribuídas à facção criminosa.

A Penitenciária Feminina de Tupi Paulista, para onde ela foi levada, é conhecida por receber detentas consideradas de maior complexidade e já enfrenta críticas por superlotação. A unidade tem capacidade para 714 presas, mas atualmente abriga 873 mulheres.