Polícia

Menor é vítima de sequestro e tortura na Barra de Santo Antônio

Caso aconteceu em dezembro do ano passado; pai pede justiça e proteção para jovem de 17 anos anos

Por Tribuna Independente 16/01/2026 07h18 - Atualizado em 16/01/2026 10h24
Menor é vítima de sequestro e tortura na Barra de Santo Antônio
A agressão causou vários danos à saúde do menor F.A. S - Foto: Divulgação

A Polícia Civil de Alagoas (PC/AL) está investigando um caso de sequestro, seguido de tortura e espancamento supostamente praticado contra um menor de 17 anos, F.A.S., diagnosticado com transtornos mentais, no município de Barra de Santo Antônio. Os crimes teriam sido praticados pelo seu padrasto, Jackson Silva Santos, companheiro da sua mãe.

Na tentativa de garantir a integridade física do filho vítima de violência, o administrador Cícero José da Silva, 51 anos, acompanhado por representantes do Conselho Tutelar da Barra de Santo Antônio irá se reunir com representantes da Promotoria de Justiça de Paripueira, na manhã de hoje, a partir das 9 horas para pedir ajuda para afastar o agressor da vítima.

De acordo com o pai biológico do menor, do dia 3 de dezembro até o último dia 04, o menor sofreu quatro agressões. Na mais recente, o adolescente teria sido sequestrado por três a quatro homens encapuzados que, durante horas, o torturaram.

“Meu filho apanhou durante horas. Foi espancado e torturado. Os criminosos, certamente contratados pelo atual companheiro da minha ex-esposa e mãe do meu filho, introduziram um cacetete de plástico no reto do meu filho. Ele teve que ficar nove dias interno no Hospital Geral do Estado. Foi submetido a uma cirurgia e está usando bolsa de colostomia [procedimento cirúrgico que cria uma abertura no abdômen, conectando o cólon (intestino grosso) à superfície da pele para desviar as fezes para fora do corpo, armazenadas em uma bolsa coletora]. Vamos em busca de proteção ao meu filho que tem transtornos mentais”, desabafou o pai.

Segundo Cícero José da Silva, a mãe do menor é omissa e sempre defende o companheiro, mesmo ficando contra o filho. Sua versão dá conta de que o padrasto do menor quer expulsá-lo de casa para ficar com a residência.

“O criminoso é de Caruaru. Passa 3 ou 4 dias na Barra de Santo Antônio. Maltrata meu filho, bate nele e vai embora. Tivemos que procurar a Polícia e o Conselho Tutelar. Fiz Boletim de Ocorrência, quando a polícia foi atrás dele, ele já tinha fugido”, contou, ao acrescentar que tanto ele quanto o filho estão sendo ameaçados de morte pelo agressor.

Conforme o pai biológico da vítima, o menor chegou a ser expulso da própria casa pelo criminoso, ficando em situação de vulnerabilidade social. Ao saber que a mãe e o padrasto viajaram, o menino voltou para a casa. Ao retornar, o padrasto percebeu que o menor havia voltado à residência e as agressões foram ainda mais violentas. Desta vez, o agressor subtraiu dois aparelhos celulares do menor.

Ao saber que o caso estava sendo investigado pela Polícia, o agressor Jackson passou a enviar áudios tanto para o menor quanto para seu pai, ameaçando ambos.

Segundo Cícero José da Silva, o filho recebeu, por áudio, as seguintes mensagens: “E aí, gostou do soco na cara? Você nunca vai esquecer disso. A próxima vez, eu vou quebrar seu braço. Eu vou te pegar. Ah, e eu esqueci. Você gosta de bloquear as pessoas, né? Pois agora eu que vou te bloquear. Eu te vi mais uma vez hoje tá. Eu sei que você foi lá na casa da sua mãe hoje eu tô (sic) vendo tudo a hora que você sai a hora que você entra tá (sic) sua mãe me conta tudo. Tá vendo aí ó eu tô (sic) vendo tudo a próxima vez que eu te pegar eu vou quebrar seu braço”.

Para mim, acrescentou o pai da vítima, ele mandou um áudio dizendo: ‘Ah, e não adianta ele se esconder, eu sei onde é que ele tá, eu sei tudo, inclusive ele veio aqui ontem e não me viu, eu vi tudo, ele nem viu onde é que eu tava (sic), é melhor você levar ele pra sua casa, entendeu, você colocou o filho do mundo, agora você tem a obrigação de criar, problema seu, se você não tem onde colocar ele, se você não tem onde ele colocar ele, eu mesmo vou colocar ele no lugar dele, daquele jeito, daquele modelo, sem massagem”.

O Boletim de Ocorrência foi feito na manhã do último dia 4 de dezembro do ano passado no 19º Distrito Policial da Barra de Santo Antônio, com a acusação de lesão corporal de natureza grave que pode resultar em perigo de vida.

Uma das armas usadas nas agressões é um soco inglês que provocou várias cicatrizes no rosto do menor.

“Quando não bate, o agressor pratica violência psicológica contra meu filho, chamando-o de cabra safado ou mostrando-lhe uma arma na cintura. Por diversas vezes, foi socorrido pelo irmão mais velho. Eles são irmãos por parte de mãe. Meu filho é doente mental. Precisa ser protegido”, concluiu, emocionado o pai.